Se você veio parar nesse malfadado blog em busca de uma resposta à pergunta do título, sinta-se aliviado: seus problemas acabaram. Aquele site de busca vai ser útil. Vamos lá. Afinal, o que é onomatopéia?
De acordo com o tradicional Dicionário Aurélio, onomatopéia é uma “palavra que imita o som natural da coisa significada”. A gramática do Paschoalin e do Spadotto – aquela com os quadradinhos coloridos na capa, sabe? – dá alguns exemplos: tique-taque, zumzum, pife-pafe e cocorocó. Há ainda as palavras onomatopaicas, como é o caso de miar e piar. Ou seja, todas as palavras que tentam imitar sons, vozes e barulhos são onomatopéias.
No poema Os Sapos, Manuel Bandeira faz uso do som das palavras para imitar o coaxar, aproximando-as de onomatopéias:
Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- “Meu pai foi à guerra!”
- “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: – “Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
Vai por cinqüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.
Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas…
Urra o sapo-boi:
- “Meu pai foi rei!” – “Foi!”
- “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.
Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.
Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo.
Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- “Sei!” – “Não sabe!” – “Sabe!”.
Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;
Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio…
