Tinha a Maria e tinha o João. Os nomes não eram esses e a cena é de um seriado da televisão, não lembro o nome. O fato é que os dois se amavam num amor bonito e – como todos os amores – complicado. Era um vai-e-vem danado, um bem-me-quer, mal-me-quer sem fim. Enredo hollywoodiano porém tipicamente Maria do Bairro. Daí que o João aceita a oferta de um emprego em outra cidade. As malas feitas, Maria o acompanha até o cais, já que a cidade ficava numa ilha. Coração apertado, tanto um quanto o outro pouco conversam. Abraçam gostoso, se beijam. João avança até a balsa, Maria segura o choro. A garganta dos dois apertada, sensação de não conseguir imaginar como será a vida sem o outro por perto. Mais do que não conseguir, não querer. O motor é ligado, a balsa começa a se afastar. “Pede pra eu ficar, pede pra eu ficar!”, é o que ele grita.
Maria, calada, permite a partida.
Pede.

Aaah, que bonito. E que triste.
Ele foi embora, mas eles se amam.
Pior é quando os dois ficam, mas o amor se acaba.