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Arquivo da categoria ‘resquícios’

Era debaixo de uma árvore de flores amarelas que eu gastava os intervalos entre as aulas. Sentadas na grama, eu e mais duas ou três amigas mirávamos o pátio em frente, os alunos, os casaizinhos que iam se formando e se desfazendo com o transcorrer das semanas. Nos invernos, também íamos até lá, mas em [...]

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A primeira vez que fui ao estádio de futebol eu contava oito meses de idade. Sim, oito meses, porque quando a gente ainda mora na barriga da mãe já é gente de carne e osso: ama, ri, chora, se apaixona e dorme – e como dorme. Pois bem. Mamãe foi ao Pacaembu grávida de mim, [...]

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Tudo

Quem assistia ao Castelo Rá Tim Bum se lembra do Gato Pintado. Morador da biblioteca, a cada visita da Biba, do Pedro, do Nino e do Zequinha ele tinha uma poesia pra apresentar. Foi assim que eu, aos 7 anos, conheci Cecília Meireles, Manuel Bandeira e Paulo Leminski. Mas um dos poemas que eu mais [...]

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Silenciar

Amarelinha, barra-manteiga, menino pega menina, polícia e ladrão, elefantinho colorido, boca de forno, mestre mandou, estátua, batata-quente, corre cotia, passa anel, telefone sem fio, vaca amarela. Eu sempre perdia na vaca amarela.

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Anti-pancadaria

Zapeando pelos canais de desenhos, me lembrei de um tempo em que a programação infantil tinha menos chute e mais sutileza. Tinha Pat and Mat… . . … a suavidade do Toki Doki… . . …ah! E eu adorava  A minhoquinha que morava na maçã… . . …Pipi e Cuco era muito fofo… . . [...]

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“Com quem eu tô falando mesmo? Quem é você? Eu não sei quem é…” “Você não sabe quem eu sou?” “Não… não sei… É a Ana Maria?” “Não…” “Eu não sei, me ajuda, eu esqueci. Quem é mesmo?” “É a Marília, vó!” “Oi, filhinha. Tudo bem?” Tudo bem, sim.

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Pedaços

Te reencontrei no desodorante, na música do Cartola que ouvi enquanto tomava banho, na pimenta que arde a comida, no chocolate meio amargo, na camisa listrada da vitrine. Até na lata de bala que ganhei um dia na Augusta e na entrada do show do 12 de junho com a qual, por um acaso, me [...]

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Quem com ferro fere

O primeiro que manifestou seu amor por mim escreveu numa folha de caderno, vergonhosomente dobrada e posta sob a minha carteira, a frase “I am love you”. “É só ‘I love you’”, corrigi plena de desdenho. Desde então, maltrato os corações que ousam gostar de mim.

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Esse é o dia no qual as pessoas me cumprimentam com um sorriso sarcástico e pensam “Rá! O tempo também está passando para você, danadinha!”. Vinte e dois anos. Não sei, mas sempre me vem à mente a imagem de dois patinhos de borracha na banheira da criança chorona.

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O desconhecido, temi

A hora era chegada. Algo me impelia pra frente, uma força vital e orgânica vinha de dentro. Embora acostumada com o ambiente, úmido e acolhedor, sabia que não poderia mais continuar ali. Caso contrário, acomodada já à situação na qual me encontrava, morreria. Uma vontade e, sobretudo, uma necessidade de seguir impulsionava para uma nova [...]

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