O tempo passa, o tempo voa

Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Mulher, de 15 a 19 anos, Portuguese, English, Livros, Música, Cinema.

Hoje eu resolvi atualizá-lo.

O único problema foi o quarto item. Antes, marcava “de 15 a 19 anos”. Agora eu estou na categoria dos “20 aos 25 anos”.

Não contem pra ninguém, mas até uns cabelinhos brancos eu já tenho.

Boca-de-sino à beça

Os dois leitores desse blog devem se lembrar que, há uns cinco posts – e isso com certeza não significa cinco dias – eu fiz várias promessas de férias. Pois é, ontem eu coloquei em prática a segunda delas: “Ler mais”.

E o livro escolhido foi: (música de suspense… que soem os tambores!) tchan, tchan, tchan, tchan: Almanaque Anos 70. Uma leitura densa e dificílima. Um misto de música, cinema, moda, gírias e muitos outros lances e transações.

É chocante, bicho! Estou me divertindo de montão… Leia também. Você vai ficar pra lá de Marrakech!

Do céu e da terra

Minha última semana foi muito difícil. Não me lembro do que aconteceu em cada dia. Me lembro do meu pai saindo de casa indo fazer uma cirurgia simples no ombro. Na volta, apenas minha mãe chegou em casa, o rosto inchado de chorar.

“O pai teve uma complicação… uma parada respiratória e um infarto.”

Na hora, minha cabeça girou. O mundo caiu aos meus pés.

“O médico disse que o caso é grave. Ele corre risco de vida.”

Isso foi na terça-feira. O que eu fiz foi abraçar minha mãe e meu irmão mais novo. Nada como o calor familiar.

Quarta-feira, 10 horas:

Meu primo ficou de nos levar ao hospital. A visita seria das 11 ao meio-dia. Entro no carro e a música que tocava no rádio era aquela do Tim Maia, “não, não vá embora… vou morrer de saudade, vou morrer de saudade”. O mundo desabou mais uma vez e, juntamente com ele, também eu. Comecei a chorar.

Na UTI, meu pai mal podia falar. Mas foi o suficiente. Fiquei um pouco mais aliviada.

Quinta-feira, meu aniversário.

Meu pai teve alta da UTI. Por incrível que pareça, nunca tive um aniversário mais feliz. De presente, ganhei a transferência do meu pai para o quarto. Foi um dia esplendoroso.

“O Osmar teve uma recuperação rápida, incrível”, diziam os médicos.

Agradeço a todos que telefonaram, rezaram, torceram e deixaram mensagens de apoio.

Não me venham dizer que não: sim, milagres existem.

Pão e circo demais para o meu gosto

Ah, só para não espalharem por aí que nesse blog nada foi dito sobre a Copa…

Sábado, 16 horas: início do jogo Brasil X França, que valia uma vaga para semifinal.

Resultado: um time ordinário perdendo para um time medíocre. Uma equipe acrítica, apática e amorfa.

E não me venham falar que a França jogou bem apenas para aliviar o lado do Brasil.

Outras considerações:

I. Pouquíssimas pessoas odiavam com tanto afinco o Parreira e um punhado acreditava que o Brasil se daria melhor com o Felipão. Bastou uma derrota para os especialistas futebolísticos saírem por aí derramando fel.

Moral da história: É fácil ser esperto depois.

II. Alguém já ouviu algum jogador dizer que fazia parte de um tal “quadrado mágico”?
E o Ronaldo intitular-se Fenômeno, alguém já viu?

Moral da história: Foi tudo uma criação da imprensa.

III. Não achei tão ruim o Brasil ter deixado o Mundial. Existem coisas mais importantes a nossa volta que afetam diretamente as nossas vidas.

Agora, vamos ao que interessa:

Semana passada comecei a ler o livro Abusado: O Dono do Morro Dona Marta, do jornalista Caco Barcellos.

Ainda não terminei de ler – são mais de 550 páginas –, mas o que eu já li foi mais do que suficiente para me deixar com vergonha. Vergonha do que? Simples… vergonha da minha cama macia e cheirosa. Vergonha da minha comida sempre fresquinha. Vergonha da minha casa espaçosa, da minha faculdade que custa mais de dois salários mínimos. E vergonha do meu comportamento, muitas vezes, também acrítico, apático e amorfo.

Ao longo da leitura, página após página, foi me dando um nó na garganta, uma vontade de chorar mesmo. Pois é, a garota classe média teve pena. Logo eu, que odeio esse sentimento. Imaginei crianças de dez, onze anos empunhando suas armas e as exibindo como troféus, mais uma prova de mostrar para o mundo que elas existem: “Ei, olha o que eu posso fazer com vocês!”. Essas crianças seguem, dia após dia, o lema carpe diem, hoje tão banalizado.

A impressão que eu tive, até agora, é a de que todo policial brasileiro é corrupto, coisa que eu sei não ser verdade. Eu quero, eu preciso acreditar que esse país tem uma solução, que as nossas crianças nas ruas são realmente nossas crianças nas ruas, e não só do vizinho. Preciso acreditar que após quinze anos de criação do Estatuto da Criança e do Adolescente, as coisas mudaram para essas elas, mas sei que muitas vezes são meras cidadãs de papel.

O que me conforta, mas só um pouco, é o fato de as eleições estarem chegando. É hora de nós mostrarmos que queremos mais do que uma felicidade que vem a cada quatro anos. Eu gosto de futebol, porém acho também que nossos políticos gostam demais dessa política pão e circo. Mas quem sou eu para dizer aos outros o que fazerem?

No fim das contas, falar é fácil.