Ações afirmativas, não efêmeras

Quando a Princesa Isabel promulgou a Lei Áurea, em maio de 1888, o Brasil estava prestes a completar quatrocentos anos de colonização portuguesa. Hoje, passados quase cento e vinte anos, os negros, que são em sua maioria pobres, estão à margem de nossa sociedade. E o nosso país, que clama pela igualdade, é racista.

O próprio termo raça já é segregador. Afinal, a raça de todos nós é a humana. Não podemos ser divididos em pitbulls, persas ou carpas. Essa segregação velada é visível em vários âmbitos da nossa sociedade. É só olharmos para as favelas ou para as crianças que vendem doces nos semáfaros dos grandes centros urbanos. Somos uma única raça, mas cada um de nós é ao mesmo tempo único. Um professor meu diria: o homem é um ser paradoxa incompleto, , inconstante e inconcluso (mas isso não vem ao caso).

A melhor maneira de promover a ascensão social é por meio da educação. E, no Brasil, ela é sofrível. Por um lado, políticos que não vêem com bons olhos o desenvolvimento intelectual dos brasileiros (e que sabem muito bem que a educação é capaz de transformar o status quo). Do outro, brasileiros sem perspectivas e sem conhecimento de seus direitos. Resultado: um círculo vicioso, com uma população apolítica e descrente (já ouvi muitas pessoas dizerem que na época da ditadura militar as coisas eram bem melhores).

Em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo, intitulado “Inclusão e cotas raciais e sociais” (20 de agosto de 2006), a psicóloga Matilde Ribeiro discorre sobre a aplicação de ações afirmativas. Mas como falar de ações emergenciais – como as que prevêem o projeto de lei número 73/99 – se o ensino no Brasil é tão deficitário, se o preconceito é velado, se muitas vezes nos esquecemos de atitudes que poderiam trazer benefícios a longo prazo?

Enquanto o que valer for a efemeridade, o aqui-agora, o instantâneo e o carpe diem, então não será possível discutir educação.

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