Considerações sobre o busão

Vidro fechado com chuva é uma beleza. Ainda mais dentro de um ônibus. Acrescente umas sessenta pessoas espremidas dentro dele e a sauna está completa. O cheiro fica insuportável e, mesmo com uma temperatura de dezesseis graus, o calor atinge níveis dignos de uma savana africana. O pior de tudo: muitas pessoas fingem que estão dormindo e, embora o assento tenha inscrições especificando que ele é reseravdo, ninguém mexe uma palha. Idosos, gestantes e deficientes físicos são tratados com indiferença.

Não bastasse tudo isso, ainda permitem que pessoas bizarríssimas adentrem o veículo. Eu tenho o raro dom de escolher meu lugar ao lado desses seres. Já me sentei no mesmo banco de um homem que não parava de dar altas gargalhadas. Eu senti minha bochecha quente, mas fui firme e fingi que não tinha me dado conta do ocorrido. Mas ontem foi muito, muito estranho. Ao meu lado havia uma rapaz lendo um livro intitulado Introdução à Fenomenologia. A pequena introdução devia ter, no mínimo, umas seiscentas páginas. Não consegui anotar o nome do autor do calhamaço. Uma pena, logo hoje que eu ia até Fnac comprar o tal livro. Deixa pra próxima.

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