Invasão de privacidade

Uma casinha verde simples em uma rua calma de Osasco. Várias toalhas, caminhos de mesa e panos de prato expostos no quintal.

No portão uma inscrição: “Bazar de Natal. Entre e confira”.

Dois dias depois, uma folha de carderno com letras infantis: “Toque a campainha antes de entrar.”

Nem parece Osasco.

Um pouco de magia

De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada ]
[ são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa… da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro…
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem

(…de ontem em diante, d’O Teatro Mágico)

***

Simplesmente inesquecível.

Cuidado, perigo!

Osasco é conhecido pelos shoppings que desabam e por tetos de Igreja que caem no meio do culto, entre outros casos ímpares e díspares. Conhecida pelo carinhoso nome de Oz City, a cidade é capaz de despertar medos e piadas em rodas de amigos.

Quem passou longe das ruas da cidade na manhã do dia de hoje teve sorte. O maior perigo não eram bandidos armados, mas sim a autora do Onomatopéia. Tive a minha primeira aula de direção, ou como queiram, minha primeira aula de porte de arma. Adorei. Deixei o carro morrer quatro vezes, quase bati em um fusquinha e, juro, vi o instrutor segurando firme no banco, à beira de um ataque de choro. Tudo bem, talvez essa última parte tenha sido apenas alucinação de um ser em apuros. Mas que foi surreal, ah, isso foi…

Recorde

Quando postei no Onomatopéia pela primeira vez, minha intenção era escrever diariamente. Não consegui. Geralmente, escrevo quando tenho vontade – e só. Isso, na verdade, acaba tornando-se péssimo para o projeto de jornalista que sou. Escrevo sobre aquilo que acho que vale a pena. Senão acaba ficando como a vida: de tanto se falar uma coisa, a coisa perde o sentido. Como, por exemplo, pessoas dizendo “eu te amo” a todo momento para qualquer um.

Portanto, reservo-me no direito de escrever apenas quando tenho vontade – pelo menos aqui.

Esse é, porém, se não me engano, o sétimo post do mês de novembro. Para mim, um recorde…

P.S.: Esse post vale realmente como um? Tenho minhas dúvidas: um post registrando outros posts não pode ser um post… Aiai

Confortavelmente sentados

“Eu quis cantar
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei fazer
De puro aço luminoso um punhal
Para matar o meu amor e matei
As cinco horas na Avenida Central
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei plantar
Folhas de sonhos no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes procurar, procurar

Mas as pessoas da sala de jantar
Essas pessoas da sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar”

(Panis et Circensis, Os Mutantes)

Não quero ser mais um na sala de jantar e nem deixar as folhas de sonho definharem.

Ato de contrição

Cansei de negar para mim mesma. Sim, sinto-me só. Isso é fato. Falta-me o arrepio na espinha, as tais das borboletas no estômago, o bafo morno e suado daqueles que se amam.

E, se todas as cartas de amor são de fato ridículas, mais ridículo ainda é não ter a quem enviá-las. Nem que  sejam cartas escritas com a letra trêmula e ansiosa por um encontro que tarda, borrada pelas lágrimas que enchem os olhos e que rolam tímidas pela face.

Argh, como eu odeio TPM.