Bem estando

Clarice Lispector não tinha e-mail, não tinha telefone celular, não tinha blog. Mas, se tivesse um, ele poderia perfeitamente ter o mesmo nome do livro que reúne as crônicas da jornalista escritora publicadas no Jornal do Brasil entre 1967 e 1973: A descoberta do mundo.

Há trinta e oito anos, em 17 de maio de 1969, Clarice escreveu uma crônica chamada “Facilidade repentina”:

“O bem-estar. É uma coisa muito estranha: a comida é boa, o coração é simples, encontro um menino na rua jogando bola, eu lhe digo: não quero que você brinque com a bola em cima de mim, ele responde: vou tomar cuidado. Fui ver um filme, não entendi nada, mas senti tudo. Vou vê-lo de novo? Não sei, posso dessa vez não estar em bem-estar, não quero arriscar, posso de repente entender e não sentir.”

Ela sabia das coisas.

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