Classificação etária: livre

Fui a uma das onze salas de cinema que existem em Osasco. O filme, um dos mais esperados do ano: Harry Potter e a Ordem da Fênix. A sala é uma daquelas que possuem mais de 400 lugares, som THX (não me pergunte o que é isso, para mim, “THX” parece nome de hormônio) e muitos, mas muitos adolescentes de férias. Julho é a época do ano em que eles saem à solta. Prova disso é a programação do Kinoplex de Osasco que, por coincidência, é a mesma das salas de projeção do Osasco Plaza Shopping (onde aconteceu o acidente com o gás encanado há treze anos). Filmes como Ratatouille, Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado, Shrek Terceiro e Transformers atraem pencas de garotos e garotas com muito hormômio THX.

Fiquei com vontade de gritar “Ô da caravana” para o grupo de mais de quinze amigos que infernizaram as mais de duas horas de projeção de A Ordem da Fênix. Imaginei se eles haviam ido até o cinema em um ônibus fretado, com direito à pipoca e refrigerante, perante uma autorização por escrito dos pais. Agüentei firme. Até mudei de lugar. Com muito pesar, abandonei a galera do fundão e fui me juntar a um outro grupo, mas esse constituído por japoneses. Eles pareciam ter saído de uma convenção de anime.

No ponto alto do filme, já no Ministério da Magia, quando aquilo-que-você-sabe-o-quê acontece com um dos membros da Ordem da Fênix, quando as emoções estão à flor da pele e quando o “Avada Kedavra” é dito, uma adolescente, gritando, intervém:

“Filha da p…”

Todos soltam gargalhadas. Então eu sou chamada de volta à realidade, em um mundo sem varinhas de condão, poções mágicas e maldições imperdoáveis.

Anúncios