Gélida tulipa

Geladeiras normais conservam alface, ovos, latas de cerveja e potes de margarina. A da minha casa guarda um vaso com um bulbo de tulipa. Não, a dieta da minha família não é baseada em pétalas de flores. Tampouco nós  gostamos de comida macrobiótica e ou de bebidas estranhas como suco de alfafa ou de clorofila.

Acontece que, em outubro do ano passado, ganhei um vaso de tulipa de presente. Linda, linda. Porém, com o decorrer dos dias, a planta, não acostumada ao calor dos trópicos, começou a murchar. O escarlate vivo deu lugar a um vermelho apagado. E, como tulipas são tulipas, flores especiais que só, a minha veio com uma etiquetinha do fabricante que dizia que a planta, quando morresse, deveria ter as folhas arrancadas e os bulbos limpos, sendo conservados em um local “fresco e arejado”, ao ar livre, por três meses. Decorrido esse tempo, eles deveriam ser plantados em terra vegetal umedecida e mantidos na geladeira. Meio cética, fiz conforme a tal bula mandava. E não é que deu certo? Depois de seis meses na geladeira, à base de muito gelo e nenhuma luz natural para fotossíntese, a minha tulipa apresenta sinais de vida.

Fosse uma fênix, renasceria das cinzas. É tulipa: brota da morte.

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