Lembrancinhas

É engraçado como algumas palavras, objetos e lugares me fazem lembrar de certas pessoas.

Sapatilhas, filmes antigos, esmalte vermelho e o letreiro “Pq. Continental”.

Mariah Carey, novela, Bakhtin e pé direito.

Submarino Amarelo, palavras das mais empoladas e garbosas, FFLCH e uma borracha intacta com cheiro de nova. 

Nariz de palhaço, os nomes Zé e Celso, trufa de um real, peruca Bruna.

Chocolate Sem Parar, post-it azul, cinema às 16h numa quinta-feira chuvosa, uma palheta gasta.

Tem hora que eu odeio campos simbólicos.

Preguiça literária

Uma das melhores coisas de estar em uma faculdade de Jornalismo é que todos os seus amigos gostam de ler, em maior ou menor grau. Eu sempre fui rata de livraria, daquelas que acham agradabilíssimo passar horas e mais horas admirando livros. Apesar da minha rinite, nunca dispensei incursões a um bom sebo, com livros empilhados nos cantos, onde tesouros são encontrados ao acaso.

Mas uma coisa estranha vem acontecendo ultimamente: tenho tido preguiça de ler. E, enquanto essa preguiça não passa, listas de leitura recomendadas vão se acumulando ao lado de livros já começados, mas que não foram levados adiante.

 Um pequeno close na minha preg… Aiai

Hum, éééééé… Esqueci!

“Oi, como é seu nome?”

“Marília.”

“Prazer. Você é da Cásper?”

“Sou, sim.”

“Hum…”

“Como é meu nome mesmo?”

“Putz, espera, vou lembrar…”

“Você nem sabe meu nome!”

“Eu lembro que tem três sílabas…”

“Marília!”

“Isso. Marília. Tá curtindo a Pororoca, Marília?”

“Tô sim…”

“Hum…”

“Como é meu nome mesmo?”

“Ah, eu sei, eu sei… espera aí! É algo tipo Camila…”

“Marília.”

“É, Marília. Você faz o que na Cásper?”

“Você não sabe meu nome!”

“Não sei mesmo, não tenho a menor idéia… É Marília?”

“Acertou…”

Por essas e outras, a Pororoca Louca – festa à fantasia open-bar da Faculdade Cásper Líbero – é, digamos, impagável.

Mea culpa

Sonhar acordada, gostar de homem com barba, participar de ONGs, sonhar com a democratização da comunicação, ter senso crítico, plantar árvores (ou tulipas…), acreditar no jornalismo social, comer petit gatêau, ouvir Mutantes, falar sobre crianças infratoras, passear no shopping.

Uma coisa não exclui a outra e, em todas elas, não há nada de errado. Ou não deveria ter.

Mafaldinha.

Afinal, o que é onomatopéia?

Se você veio parar nesse malfadado blog em busca de uma resposta à pergunta do título, sinta-se aliviado: seus problemas acabaram. Aquele site de busca vai ser útil. Vamos lá. Afinal, o que é onomatopéia?

De acordo com o tradicional Dicionário Aurélio, onomatopéia é uma “palavra que imita o som natural da coisa significada”. A gramática do Paschoalin e do Spadotto – aquela com os quadradinhos coloridos na capa, sabe? – dá alguns exemplos: tique-taque, zumzum, pife-pafe e cocorocó. Há ainda as palavras onomatopaicas, como é o caso de miar e piar. Ou seja, todas as palavras que tentam imitar sons, vozes e barulhos são onomatopéias.

No poema Os Sapos, Manuel Bandeira faz uso do som das palavras para imitar o coaxar, aproximando-as de onomatopéias:

Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
– “Meu pai foi à guerra!”
– “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: – “Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.

Vai por cinqüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.

Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas…

Urra o sapo-boi:
– “Meu pai foi rei!” – “Foi!”
– “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.

Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
– A grande arte é como
Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo.

Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
– “Sei!” – “Não sabe!” – “Sabe!”.

Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;

Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é

Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio…