Meu suicídio diário

Imersa em pensamentos, deixo morrer um pedacinho de meus amigos em mim mesma. E, eles morrendo, morro eu um tanto também.

Vendo meu reflexo no espelho, não reconheço a figura que está nele refletida. Terá uma parte de mim morrido, mas em que momento eu a perdi, eu não sei.

Eternizando certos momentos, fotografando-os com a mente para poder saboreá-los mais tarde. Acabo por deixar escapar o encanto como areia fina que escorre pelas mãos e que, sedentas, tentam juntar grãos de risadas, aromas, luzes e superfícies. Sem sucesso.

À minha volta, sofrimento. Procuro encontrar cores onde só há preto-no-branco. Sucessos casuais.

Consolando-me na desgraça dos outros, morro mais um pouquinho. Dia após dia.

O que é efemêro é também suplício.