“TERÇA-FEIRA, DEPOIS DA UMA DA TARDE”,

escrevi bem forte com caneta bic azul. Seu telefone só faz chamadas, não recebe. Sua casa não tem o mesmo brilho de outrora. Uma atmosfera estranha toma conta do lugar. É casa de gente antiga, velha, idosa, como queiram. O fato é que não consegue se lembrar de tomar o tal do remédio pra memória. Conta com detalhes do tempo em que era menina de Ribeirão Preto e de quando seu cabelo era, assim, “cheio de ondas”, mas não recorda de coisas que lhe foram ditas cinco minutos antes. Sofre por esquecer dos aniversários dos netos, da carteira de identidade que lhe dá direito ao passe livre no ônibus, do preço do pãozinho, de que precisa de ajuda.

Terça-feira é hoje. Já passou da uma da tarde, é quase três. Minha avó esqueceu de novo. Mais um daqueles momentos em que nos sentimos impotentes.

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