Reflexos

No reflexo da janela do ônibus, toda noite parece noite de Natal. As luzes da cidade refletem como pisca-pisca ligado e intermitente. Quando chove, então, é mais Natal ainda. Os respingos da chuva formam cada um pontinhos furta-cor. As luzes pintam os vidros com borrões de cores mal definidas, tremeluzindo a cada parada e partida e mais uma nova partida. Na janela do ônibus, ao anoitecer, é Natal o ano todo.

Indefinidas, as pessoas lá do lado de fora até parecem felizes, desgarradas de sua identidade, formando apenas – mais uma – massa. Esboços de sorrisos sob guarda-chuvas coloridos – a rua deveria ter mais deles.

Quando vi você ontem, de dentro do ônibus, a luz te emoldurou. Você parecia um presente, com laço e papel pardo de embrulho. Ainda não é Natal. Papai Noel não existe.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s