Coração sitiado

Quando as pessoas passam a existir de fato dentro de nós? Porque a gente sabe que uma coisa é você conhecer um sujeito, outra, beeeem diferente, é saber que esse alguém ocupa um espaço especial em você. Quando será que se dá aquele instante – um segundo talvez, um olhar, um sorriso, sabe-se Deus lá o que – no qual a pessoa te cativa e, sem pedir licença, junta suas tralhas e se hospeda em algum cantinho do seu ser, seja na alma, no coração?

Tenho uma amiga que acampou definitivamente em mim enquanto fazíamos um trabalho de História da Arte. De repente, percebi que aquela pessoa já era parte de mim. Ela havia se tornado não só especial, mas essencial na minha vida.

Tem também aquela coisa tipo final de oitava série. Quando a gente tá ali naquele oba oba, escrevendo o nome nas camisetas, entre uma promessa falaciosa de ‘sim-vamos-marcar-para-nos-encontrarmos’ e uma canetinha hidrocor. Em momentos como esse eu percebo que aqueles nomes no tecido branco escondem uma pessoa de carne e osso e que talvez eu não tenha convidado para uma conversa na sala de visitas aqui dentro de mim, nem que tivesse sido só de passagem.

Há também aquelas pessoas que saem da sua vida facinho, facinho, e você, que achava que elas iriam fazer uma diferença enooorme, percebe que, sim, você vai conseguir viver sem elas – quiçá melhor. Na verdade, elas não moravam em você, estavam só pagando aluguel por uma espécie de quartinho dos fundos no seu coração.

Na maior parte das vezes, as pessoas passam a existir dentro de mim quando eu digo ‘adeus’. A saudade bate nessa hora, assim que a despedida é concretizada. E aquela pessoa existe tanto tanto e está tão enraizada já, hospedada com mala e cuia, que uma dor começa a se pronunciar.

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