Diabetes

 

A vontade era de jujuba. Enfiei a mão no pote. Uma infinidade de pequenas balinhas laranjas rosas amarelas verdes roxas desfilou pelos meus dedos. Nenhuma delas me apetecia. Todas tinham a aparência ordinária, tão comuns em sua mesmice de cores infantis. O gosto, sempre o mesmo. Açucarado no começo, depois de algumas provocava enjôos. Foi então que vi uma, bem no fundo. Não acreditava em auras, mas o que seria então que chamava tanto a atenção naquela bala de goma? Tão distante, difícil de alcançar. Dia após dia, uma bocanhada nas outras jujubas deixava o caminho livre, isento de obstáculos. E assim, com o desenrolar das semanas, a rara balinha ficava mais ao alcance das mãos. Podia até sentir a superfície do almejado prêmio. Vez ou outra, os dedos roçavam-na de leve, em um carinho comedido, um leve toque de desejo. A trajetória até ela não seria fácil, mas também, o que me custaria tentar? No máximo, uma alta taxa de glicose no sangue. O que não mata engorda.

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