Diabetes

 

A vontade era de jujuba. Enfiei a mão no pote. Uma infinidade de pequenas balinhas laranjas rosas amarelas verdes roxas desfilou pelos meus dedos. Nenhuma delas me apetecia. Todas tinham a aparência ordinária, tão comuns em sua mesmice de cores infantis. O gosto, sempre o mesmo. Açucarado no começo, depois de algumas provocava enjôos. Foi então que vi uma, bem no fundo. Não acreditava em auras, mas o que seria então que chamava tanto a atenção naquela bala de goma? Tão distante, difícil de alcançar. Dia após dia, uma bocanhada nas outras jujubas deixava o caminho livre, isento de obstáculos. E assim, com o desenrolar das semanas, a rara balinha ficava mais ao alcance das mãos. Podia até sentir a superfície do almejado prêmio. Vez ou outra, os dedos roçavam-na de leve, em um carinho comedido, um leve toque de desejo. A trajetória até ela não seria fácil, mas também, o que me custaria tentar? No máximo, uma alta taxa de glicose no sangue. O que não mata engorda.

Anúncios

7 pensamentos sobre “Diabetes

  1. Quando seu médico está a 17 mil km de distância sua consciência também fica menos atenta.

    E aqui tem um monte de chocolates.

    Mas o título do seu post é um fantasma.

    Btrrrrr.

    Beijos!

  2. Existe algo(guém) raro que sonho tirar da multidão colorida e ter em minhas mãos também. E já faz tempo… rs
    Peço desculpa pela brincadeira. É quase um pecado com mais um de seus textos lindos, mas não pude resistir.
    Um beijo!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s