Má memória

Uma das coisas mais tristes da vida?

Nós passamos mais tempo sendo esquecidos do que esquecendo.

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Invisibilidade

Xinga a mãe, pisa em cima, joga na parede, chama de lagartixa. Bate, deixa hematoma, pisa no calo, bota o dedo na ferida. Aponta em riste, nega até a morte a verdade deslavada. Cospe na cara, diga poucas e boas. Inventa o que quiser sobre a família, espalha por aí que a prima mais velha é puta, que o mais novo é viado. Encara sem pudor, com coragem, com raiva, com ódio sincero e latente. Vem com vontade, com a cabeça fervendo, perca a razão. Faz o que quiser do meu sangue, da minha pele, de mim. Leva com você minha dignidade e usa da melhor maneira que puder.

Mas não ignora, por favor.

Tal mãe, tal filha

Quando eu tinha uns seis, sete anos, ganhei de presente da minha mãe um vestido de malha florido. Por insistência minha, claro, já que semanas antes ela havia encomendado à costureira um modelo i-gual-zi-nho. Com aquele invejinha boa, quis porque quis que ela me presenteou com um, tal qual o dela. Gostava de combinar com uma sandália super fofa, daquelas que já não se usam hoje em dia, por serem tipicamente infantis. Cada pé da sandalinha tinha um rosa amarela sobre tirinhas finas vermelhas. Um charme só.

Passados alguns anos, (ei, daqui dois meses terei 22!), eu e mamãe temos mais um motivo de felicidade mútua. Com vocês, elefante e sapo em pés:

Mar�lia de elefante e mãe de sapo

PS.: Não, nós nunca usamos o mesmo vestido na mesma ocasião. Ia ser tosco por demais.