O desconhecido, temi

A hora era chegada. Algo me impelia pra frente, uma força vital e orgânica vinha de dentro. Embora acostumada com o ambiente, úmido e acolhedor, sabia que não poderia mais continuar ali. Caso contrário, acomodada já à situação na qual me encontrava, morreria. Uma vontade e, sobretudo, uma necessidade de seguir impulsionava para uma nova fase. Despedia-me de minha morada confortável e abandonava uma segurança que nunca mais teria. Ia à busca do desconhecido.

Rompia, dessa forma, mais que uma barreira física. Conforme a transpassava, um turbilhão de emoções e de sensações me encontrava desprevinida. Aquela carne não era apenas meu abrigo dos últimos meses. Vez ou outra era possível ouvir uma voz que atravessava a parede e cantarolava em ecos uma canção de carinho e de amor. Ali era morada do come-e-dorme certo de todos os dias, um porto-seguro que não cobrava nada em troca de amparo.

A claridade se fazia cada vez mais forte. Ofuscava os olhos à medida que revelava o nunca antes visto. Não era mais a voz terna de outrora, mas sim lacônicos sussurros que envolviam a atmosfera. Uma segunda carne, diferente da que estava habituada, me puxou com veemência. Passei por camadas de pele, gordura e pêlo. Tudo pegajoso, mas de uma vibração pulsante. Embora a luz agora deslumbrasse os olhos, ainda assim temia.

Depois do meu primeiro choro, que viesse a vida.

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