Tio, posso fazer xixi?

A primeira coisa na qual pensei quando recebi a notícia da aprovação no vestibular não foi um “uuh, em qual editoria eu vou querer escrever” ou “aaaah, TV Globo, aí vou eu!”. A única idéia que me veio à mente foi um “e agora?, será que eu preciso pedir permissão pro professor se tiver que ir ao banheiro?”. Bons tempos quando as minhas dúvidas em relação ao meu futuro eram como essa.

Naquela época eu achava que na faculdade todo mundo pegava todo mundo, que os professores nem sabiam quem assistia aula ou não e que a vida no campus seria animedérrima. Pelo menos onde eu estudo, a pegação nem é tanta e, ao contrário da chamada, que vem todos os dias, a vida social é quase nula – hmm, será que é porque nós não temos um campus?

Quase terminando meu curso, já não sei se quero ser jornalista. Sei menos do que será da minha vida do que há quatro, cinco anos. Nem me importo, ó. Tá bom, é mentira.

Twist and shout!

Um ano atrás eu e a Lígia viajamos pra bem longe em busca da reposta à uma pergunta: porque, até hoje, os Beatles continuam arregimentando uma multidão de fãs?

O resultado dessa incursão até o bairro de Indinópolis – aaaah, é super longe de Osasco, vai – foi uma série especial de três capítulos para a disciplina de Radiojornalismo. Na época, nenhuma das duas conseguiu upar os arquivos. Coube a mim, hoje, desenterrar os três áudios e disponibilizar aqui. O post pode parecer nonsense, mas pra mim tem um sentido todo especial: a lembrança de uma grande amiga e eu ouvindo, decupando e escrevendo o texto da reportagem. A qualidade do som não está lá essas coisas, mas vale pelo gostinho das músicas.

*Ouvindo Because*

Because the wind is high it blows my mind
Because the wind is high……aaaaaaaahhhh

Imigrantes

Beijou um beijo bom. No carinho, sentiu a mão macia no rosto. Os dedos se tocavam de leve, sem entrelaçar as mãos. O vento veio chegando, as portas se abriram. No reflexo de seus óculos, matizes de verde – dizem ser essa a cor da esperança. Olhou de relance. Não, amor, não se veriam de novo. Os dedos foram se distanciando, apenas as pontas se encontravam. A mão, macia. Mais um carinho leve no rosto, a mão macia. Entrou com pressa, sem pensar. Meio tonta, apenas escolheu o acento de cor marrom mais próximo da janela. A visão embaçada, as mãos do outro lado se precipitaram em direção à porta. O apito. Gestos desesperados, uma negativa com a cabeça. O metrô seguiu seu destino, avançando para o túnel negro sem luz.