Imigrantes

Beijou um beijo bom. No carinho, sentiu a mão macia no rosto. Os dedos se tocavam de leve, sem entrelaçar as mãos. O vento veio chegando, as portas se abriram. No reflexo de seus óculos, matizes de verde – dizem ser essa a cor da esperança. Olhou de relance. Não, amor, não se veriam de novo. Os dedos foram se distanciando, apenas as pontas se encontravam. A mão, macia. Mais um carinho leve no rosto, a mão macia. Entrou com pressa, sem pensar. Meio tonta, apenas escolheu o acento de cor marrom mais próximo da janela. A visão embaçada, as mãos do outro lado se precipitaram em direção à porta. O apito. Gestos desesperados, uma negativa com a cabeça. O metrô seguiu seu destino, avançando para o túnel negro sem luz.

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