Imigrantes

Beijou um beijo bom. No carinho, sentiu a mão macia no rosto. Os dedos se tocavam de leve, sem entrelaçar as mãos. O vento veio chegando, as portas se abriram. No reflexo de seus óculos, matizes de verde – dizem ser essa a cor da esperança. Olhou de relance. Não, amor, não se veriam de novo. Os dedos foram se distanciando, apenas as pontas se encontravam. A mão, macia. Mais um carinho leve no rosto, a mão macia. Entrou com pressa, sem pensar. Meio tonta, apenas escolheu o acento de cor marrom mais próximo da janela. A visão embaçada, as mãos do outro lado se precipitaram em direção à porta. O apito. Gestos desesperados, uma negativa com a cabeça. O metrô seguiu seu destino, avançando para o túnel negro sem luz.

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2 pensamentos sobre “Imigrantes

  1. Despedidas, mesmo temporárias, sempre dão essa sensação de vazio… por isso eu sempre quis que tudo e todos estivessem sempre ao mesmo tempo no mesmo lugar (lembrando da tirinha que postou um dia desses…rs).
    Um beijo!

  2. Um jogo de cores num momento que me pareceu tão preto-e-branco.
    E essa distância pelas mãos que quase não se tocaram, mas foram distanciadas.

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