Hoje é quinta-feira!

Antes que você me pergunte “e daí?”, eu explico.

Hoje é quinta e no Um pouco de Bossa tem a Coluna de Quinta e a Nati, que é a dona do blog, me convidou pra escrever lá, o que significa que hoje, que é quinta, tem post meu na Coluna de Quinta do blog da Nati.

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Matemática

60 dias, 90 mil caracteres. 90 mil caracteres, 1500 caracteres por dia. 60 dias, 1500 caracteres por dia. 1500 caracteres é meia página de Word, espaçamento simples, Times 12 ou Arial 11. Ah, tem as figuras também, mas acho que isso não conta. Nota de rodapé também vale? Não sei se vale. Vou fazer o teste. Não, não conta. Escrevi lá: “Marília” e cliquei em Inserir, Nota de Rodapé. É, não vale. Se eu for em Contar palavras três pontinhos, ainda vai estar Caracteres (com espaço) igual a 8. Escrevi, sim, tá lá “Marília Scriboni”. Bom, nota de rodapé não conta. Puta mundo injusto! Como não conta? Se soubesse, não teria colocado as tais notas. Mas fica tão bunitinho, né? Só tem uma coisa que eu acho mais bonita que nota de rodapé: é vírgula. Êta negócio lindão! É tão bonitinho. Daqui em diante só vou escrever usando muitas, muitas, muitas vírgulas. Você reparou? Vírgula é tão perfeito, parece uma ondinha que vai nascendo na folha em branco. Ah, eu acho lindo. Pena que quando a gente fala não aparece a vírgula flutuando no ar. Nossa, ia ser demais. Já pensou você falando “O IBGE espera que área plantada de grãos tenha um aumento de 4,3% sobre o ano passado, com destaque para a soja, milho e arroz, os três produtos que representam 90% da produção de gr…” e as vírgulas todas saindo da boca e dançando no nada? Aiai, ia ser muito lindo mesmo. 1500 caracteres é meia página de Word, espaçamento simples, Times 12 ou Arial 11. 60 dias, 90 mil caracteres.

OLHA QUE LINDO! ,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

Te conheço mas não

Cheguei na faculdade e dei de cara com um grupinho de sem-conhecidos. Torcendo para que nenhum deles me beijasse e achando que um oi coletivo satisfaria ambas as partes, fui firme na minha investida contra o espaço. Um menino simpático, porém, não se contentou: Depois de um “oi, Marííília!” efusivo, estalou-me um beijo na bochecha. Ok, agora eu teria que cumprimentar um a um. Mais estranho do que topar por aí com pessoas que mal conhecemos é reencontrar aquelas das quais um dia já fomos confidentes. O encontro com um vizinho no ônibus pode ser menos constrangedor do que o aparecimento de um amigo que você não via há um bom tempo. Semi-conhecidos não me causam mais pavor do que pessoas um dia muito próximas que saíram de nossas vidas do nada, levando com elas segredos e partinhas de nós que poucos possuem.

Lá estava ela entre os semi-conhecidos. Há algum tempo não nos falávamos. Antes disso, éramos amigas para sempre, amém. Tive que dar um oi também, meio sem jeito. Enquanto os outros eram semi-conhecidos, ela se transformou, no momento em que saiu da minha vida pela porta dos fundos deixando marcas de barro no capacho, uma semi-desconhecida. Sem saber como me comportar e me sentindo na obrigação de falar algo, apenas disse “tenho um livro seu comigo”, ao que ela respondeu com um “aaah” bem menos empolgado do que o “oi, Marííília!” do menino simpático.

No lugar de risadas e confissões, um vácuo habitado por uma fria distância pareceu ocupar o espaço que havia entre nós. Não possuíamos mais nada em comum, apenas um passado que talvez ambas preferissem esquecer. Uma distância psicológica que a proximidade física não venceu.

* Post publicado originalmente no blog Um pouco de Bossa