Jogo dos tantos erros

Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode às seis horas da manhã. Me sorri um sorriso pontual e me beija com a boca de hortelã

Pause

“Ai, amiga, ontem eu encontrei minha sobrinha. Tadinha, ela é inteligente e tudo, sabe? Mas tá estudando biologia. Biologia! Eu falei pra ela “isso não leva a nada, o que você quer ser da vida? Professora, é? Desse jeito você não vai crescer na vida” , mas ela disse que gosta. Agora, me diz, o que essa menina vai ser da vida? Trabalhar no Instituto Butantã? Afe. Eu disse pra ela que ela vai ser pra sempre assalariada. Não, ela não ouve. Os irmãos dela, sim, estão certinhos na vida. Um faz administração de empresas e o outro direito… É, eles estão certos mesmo. Esses têm futuro. Já viu algum biólogo ter negócio próprio? Não!”

“Eles ainda podem prestar concurso público…”

“Ééé! Ela não sabe nada da vida. Eu falei que ela tá investindo tanto em educação… quando o retorno vai vir? Eu disse “olha você, uma menina bonita e estudada, você tem que ter o retorno. Fica aí, vinte anos estudando, um dia você vai ter que ter retorno disse tudo”. Tem que ver essa menina… a coisa mais linda… um corpo lindinho. Dá gosto de ver… Mas bióloga! Não sei pra que estudar tanto e continuar sendo pobre…”

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Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar e essas coisas que diz toda mulher. Diz que está me esperando pro jantar e me beija com a boca de café

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