Logo, logo entro na comunidade “Saudade”

São vinte e nove comunidades em comum no orkut. Disso já se poderia escrever muito. Como a comunidade “Beatles”, que só entrei depois que nós duas fomos a um ensaio de uma banda cover a fim produzir uma série especial de rádio sobre o quarteto. Tem também a “Cásper Líbero – Jornalismo”, como não poderia deixar de ser. Afinal, foi lá que nos conhecemos. “Barba”, por sua vez, fui em quem roubou dela. Não, nós duas não resistimos ao garotinhos que assumem esse ar meio desleixado. E foi de mim que ela roubou “Rua Augusta”, nosso destino mais que certo quando a vontade era apenas de se ver e jogar conversa fora. Ainda tem “Pororoca Louca” (aaah, a Pororoca!) e “JUCA – Comunidade Oficial” (aí é uma história à parte). “Eu não guardo raiva daquela puta – eu não guardo um pingo de raiva daquela filha da puta” já foi assunto para as mesas de muito botecos – não só na Augusta. E, uma de nossas maiores paixões está em “Palavras batutas do dicionário” – talvez motivo maior de nossa aproximação. Fora isso, nós duas gostamos da primavera, de Rá Tim Bum, de vírgulas, da Turma da Mônica, de livros, da Mafalda e só nos casaríamos caso fosse em Las Vegas, com o tal imitador do Elvis.

A questão é que uma amizade não pode ser medida apenas por comunidade idiotas. Amigo que é amigo ocupa tanto espaço dentro da gente que fica um vazio quando pensamos o que vai ser da gente sem eles por perto. Era ela quem me aguentava nos meus inúmeros momentos de indecisão e nos surtos amorosos. A amiga que comigo vivia a gulodice dos cookies e chocolates, que ficava com medo do texto atrasado do trabalho de conclusão de curso, que não prestava atenção na aula comigo. A amiga que tem a paciência de sentar no chão do setor de livros infantis da livraria e que adora as listas de melhores filmes do século just to check.  A amiga que como eu não se importa em deixar de pentear o cabelo, de repetir a roupa e de usar All Star em quase todas as ocasiões. O vazio só não é maior porque sei o quanto ela desejou estar onde ela está agora.

Foi hoje que a Lígia pela segunda vez desembarcou em Nova York, local do início de uma jornada de um ou dois anos. A despedida que seria no sábado eu deixei pra ontem. Na meu caminho de volta, ela foi me levar até a estação de trem. Minha casa e a dela antes ficavam a quatro estações de distância, mesmo estando em cidades diferentes. Agora eu nem sei quantos quilômetros são. Só sei que é o bastante pra eu sentir saudade, pra língua coçar na hora de contar a novidade e a fofoca.

“Caros, não estou indo embora de vocês”, foi o que ela escreveu há quase uma semana lá no blog dela. Na verdade, a meninota não sabe que quem não vai deixar ela ir embora de mim sou eu. Porque amigas como eu não são nem bobas de deixar amigas como ela irem assim.

17 pensamentos sobre “Logo, logo entro na comunidade “Saudade”

  1. Sua bobona.

    Uma sala cheia de gente, e eu aqui me retorcendo pra nao deixar cair uma lagrima e passar vergonha. Porque macho tem que segurar e eu vim aqui pra ser macho.

    Entao nao me venha com esse seus textinhos fofos e cheio de referencias que levam da gargalhada ao choro querer me fazer pagar mico.

    Jah lembrei de voce, e de tantas outras pessoas – e bichos, claro -, que jah perdi a conta. E isso porque se passaram o que(acento)? Umas nove horas que eu cheguei?

    Sexta-feira, pode se preparar, colocar seu microfone meia boca a postos e entrar na madrugada comigo.

    Nao fui embora de voces, querida, e nunca vou deixar voces irem embora de mim. Nunca. Se voces tentarem escapolir, eu seguro pelos dedinhos do pe e puxo de volta.

    A gente ainda vai se mijar muito de rir no MSN, no skype, vamos nos falar tanto que vc ainda vai se cansar de mim, querideeenha. Voce nem vai achar que eu to aqui, vai pensar que eu ainda to ai, a um trem de oz.

    Os papos vao mudar um pouquinho, mas vamos tentar nao perder o referencial, ok (a comunidade da puta, por exemplo, nunca vai morrer dentro de nos)???

    Esse negocio tah meio esquisofrenico, neh?

    Ainda bem que eu nao perdi o velho habito de vir de vez em quando tirar o po do seu blog, hein?

    Chuchu, vou confessar uma coisa: meus olhos soh deixaram correr as lagrimas quando eu me despedi do meu gatinho preto. A parte maior no meu coracao eh a que cabe a ele e isso todo mundo sabe. Mas em duas ocasioes eu tive que segura-las, e foi soh quando eu me despedi dos meus pais do portao de embarque e quando eu vi o seu trem indo embora pra Osasco.

    Entao trate de nao se esquecer de mim, ok?

  2. Eu nunca fui ao Juca, mas sei da tal fama do tal do Juca…rs.
    Rua Augusta é legal, apesar de eu ter ido só uma vez pra ficar em algum barzinho, eu me divirto horrores todas as vezes que passo por lá.

    Eu não entraria na comunidade: “eu não guardo raiva e bla bla bla.” Porque eu estaria mentindo…rs.

    E poxa, saudade é ruim mesmo… é um aperto no coração que quase nunca tem explicação.

    O ruim mesmo é aguardar a volta… mas pelo jeito, vcs são bem amigas e aposto que isso só vai fortalecer a amizade de vcs.

    Sorte pra ela lá em NY.

    =)
    Bjos pra ti querida.

  3. Eu me casaria em Las Vegas,
    mas a lua de mel seria em Veneza
    Nem que eu tentasse, a loucura jamais se separaria do romantismo.
    Assim como amigos não se separam,
    seja lá qual lado prevalece, se a loucura ou o sentimento.
    Despedidas as vezes são doloridas,
    mas longas viagens de avião são compensadas com um sorriso, um abraço ou uma novidade.
    =)

    Um beijo,
    Clarissa.

  4. Que linda declaração! Ela tem muita sorte.
    Depois da Internet a distância física às vezes até fortalece as amizades. Experiência própria.
    Só pra vocês saberem… também estou na disputa por um barbudo que tope casar em Las Vegas!hahahahaha…

    Adorei saber que é Clarice! Em que livro? Eu ia chutar Caio Fernando Abreu.

    Um beijo!

  5. Ah, Maríliaaaa, assim não vale. O que vocês querem fazer comigo, hein? Me deixar aqui chorando que nem a bobona que eu sou mesmo?

    Acabei de te procurar no msn pra te dizer que esse post realmente mexeu comigo. Lendo o comment da Lígia, eu fiquei mais besta mesmo.

    Vocês são duas fofas do meu coração. Espero realmente que um dia a gente se conheça (presencialmente, falando). E de preferência num boteco charmoso. =]

    Beijos, Maríííilia

  6. Concordo com a Mari!
    É um lindo texto e uma bela prova de amizade…
    Nem tempo nem distância serão capazes de separar algo tão forte e bonito assim, viu?!

    Parabéns pelas belas palavras!!!

    Saudades!
    Beijos 🙂

  7. (Levei um susto quando vi seu comentário em meu blog! Eu nunca tive coragem pra comentar aqui, tenho dessas, e faz já um tempinho que achei o seu e linkei… Aí, do nada, você lá no meu. Hahaha.)

    Eu queria achar palavras bonitas pra poder dizer o quanto seu texto é bonito e que mexeu comigo e que me fez lembrar de muitas coisas, mas eu não consigo achar nada que o valha.

    “Once” é um filme super simpático e as músicas são viciantes. 🙂

  8. Ah! Hm, bem, eu estava procurando o blog de uma garota, não achei, caí no seu e gostei. Fiquei com vergonha de comentar aqui, mas linkei você pra ler as postagens futuras. Foi isso. =P (As Marílias hão de dominar o universo, hahah! Só dá Marília na sua caixa de comentários…) E obrigada pelo link. :]

  9. Ok, lindo post honey e bla bla bla, mas tá na hora de postar de novo, ok??

    (mano, é difícil pular do inglês pro português e vice versa)

  10. Babe, NY é tão incrível, tão genial, marivilhosa, cheia de vida, arte, neve, vento gelado, roupas (muitas roupas).. A sugestão é que você venha passear, visitá-la.
    E pra ela, claro, toda a felicidade do mundo nessa ilha pequena onde cabe o mundo. E, meu, a gente cuida de você até ela voltar, fica tranquila…

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