Não tem mais onde furar

Silêncio. Ele se aproximou um tiquinho mais. Que saudade de você que tá aqui do meu lado, saudade de você ainda mais quando você tá perto mas eu não posso. A mão delicadamente caminhou até a cintura. Como assim?! O que você acha que tá fazendo? Os dedos fixaram-se e por lá repousaram. Silêncio. De tanto levar frechada do teu olhar meu peito até parece sabe o quê? Silêncio. Taubua de tiro ao álvaro não tem mais onde furá lalala. É, acho que levei um fora hoje. Ai, seu mané, seu mané maior de todos, olha eu aqui, tô até respirando mais depressa, minha mão suada e só esperando o carinho no cabelo, a mão na nuca que você sabe melhor do que ninguém. Ah, é? Fora de quem? Olha como ele olha gostoso, como os cílios são longos e amo cada um deles, tão pretinhos e curvados. É, levei… Um beijinho estalou na bochecha. Ai, que fofo, meu Deus, que fofo! De mim?! De mim?! Nossa, que mané. Mas você não sabe de nada mesmo. Minha tristeza era por você, agora minha alegria, toda ela, toda essa minha alegria que tem vergonha de aparecer, é por você também. Silêncio. Agora a saudade é pelo beijo que ainda não acabou e pode ser o último.

À espera

Dois ou três carros já pararam na frente de casa. O motor barulhento, a porta batendo, o clic! do alarme sendo ligado. Duas ou três vezes eu fui até o portão. Você sabe, o interfone de casa não funciona. Duas ou três vezes eu imaginei ouvir você gritando “Marííília”. Mais duas ou três vezes eu deixei de sentir o calor do seu abraço e o cheirinho do seu perfume que é tão seu em mim.

Porque, duas ou três vezes, não era você.