As caixinhas gêmeas

Eu vou inventar uma caixinha assim: pequena, mas o suficientemente grande para caber uma mão toda lá dentro, e com duas partes gêmeas. Pequena porque precisa ser fácil de carregar. A mão que precisa caber lá dentro é pra sentir a pessoa que mora longe. Dito isso não preciso explicar porque as caixinhas deverão ser iguais. Desse modo, quando algum amigo meu precisar do meu toque, e não das minhas palavras, nós dois enfiaremos as nossas mãos lá dentro e poderemos sentir o carinho e o calor que habitam a quilômetros de distância.

Amiga que você sabe do que estou falando, estou vendo um jeito de fabricar isso logo. Enquanto isso, a única coisa que posso dizer é que você é uma das pessoas mais maravilhosas que já conheci.

Pra eu ficar

Tinha a Maria e tinha o João. Os nomes não eram esses e a cena é de um seriado da televisão, não lembro o nome. O fato é que os dois se amavam num amor bonito e – como todos os amores – complicado. Era um vai-e-vem danado, um bem-me-quer, mal-me-quer sem fim. Enredo hollywoodiano porém tipicamente Maria do Bairro. Daí que o João aceita a oferta de um emprego em outra cidade. As malas feitas, Maria o acompanha até o cais, já que a cidade ficava numa ilha. Coração apertado, tanto um quanto o outro pouco conversam. Abraçam gostoso, se beijam. João avança até a balsa, Maria segura o choro. A garganta dos dois apertada, sensação de não conseguir imaginar como será a vida sem o outro por perto. Mais do que não conseguir, não querer. O motor é ligado, a balsa começa a se afastar. “Pede pra eu ficar, pede pra eu ficar!”, é o que ele grita.

Maria, calada, permite a partida.

Pede.

Mantra

Coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem coragem.

Coragem de ter coragem.

Momento rasgação de seda

Já há algum tempo conversávamos eu e a Lígia sobre esses memes que circulam pela blogosfera. Conversa vai, conversa vem, chegamos à conclusão de que, caso existisse um selo de blogueira maaaais fofa, com certeza iria para a Nati, do Um pouco de Bossa. Tal não foi a minha surpresa ontem quando euzinha recebi o selo “A dona desse blog é um fofa!” da moça. Uma fofa mesmo!

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Minha missão então é repassar o agrado, não sem antes responder ao questionário que faz parte de toda a brincadeira:

1 Mania: Andar descalça. Sempre perco o chinelo por aí.

2 Pecado capital: Preguiça.

3 Melhor cheiro do mundo: Baunilha, aiai.

4 Se dinheiro não fosse problema eu faria: Muitas viagens.

5 Casos de infância: Aos cinco anos virei um copo de caipirinha enquanto minha mãe conversava com a vizinha na porta de casa. Não bastasse meu porre, provoquei hic hic também no meu irmão, oferecendo o “suco gostoso de limão”.

6 O que não gosta de fazer em casa: Só faço o que tolero.

7 Desabilidades como dona de casa: Cozinhar. Não que seja um desastre,mas nada que se compare à comida da mamãe.

8 Habilidades como dona de casa: A casa comigo fica, no mínimo, organizada e cheirosinha.

9 Uma frase: “A minha única salvação é a alegria”, de C. Lispector.

10 Passeio para a alma: Qualquer um com um amigo querido. Livrarias são uma boa pedida.

11 Passeio para o corpo: Passear com a cachorra sem pressa.

12 O que me irrita: Quem ouve música alta sem fone de ouvido no busão.

13 Frase ou palavra que fala muito: Falo muito “mas”. Preciso parar. Uma porque é repetitivo e outra porque procurar empecilho nas coisas cansa.

14 Palavrão mais usado: Cacete!

15 Desce do salto e sobe o morro quando: Sou criticada. É feio, eu sei. Odeio mesmo assim, embora possa não demonstrar.

16 Perfume que usa no momento: Inizzio, da L’acqua di Fiori.

17 Elogio favorito: Fofa!

18 Talento oculto: Tão oculto que ainda não descobri. Queria mesmo é saber desenhar, cantar, compôr…

19 Não-importa-que-seja-moda-não-usaria-nem-no-meu-enterro: Crocs.

20 Eu sou extremamente: Indecisa.

Ah, as minhas fofas são a Déa e a Iza.

Nove meses

Da concepção ao nascimento da criança. Uma gestação. O pulo que separa os beijos e os carinhos dos pais e a descoberta do sentimento ainda novo porém gigantesco: é amor. Redundância dizer que tudo começa com um sim – que não seja dito então. Medo do desconhecido tempos depois superado pela certeza. A decoração do quarto, com esmero e paciência. Qual nome escolher pro amor azul ou rosa parto normal ou cesariana? Passa primavera, passa verão, passa outono. Quase inverno. Vitaminas pra fortalecer, presentes e anseios. Óleo de amêndoas pro amor não rachar e nem deixar cicatriz. A barriga cresce, a mulher não cabe mais em si. Cuida daquilo que é seu e que nunquinha que será.

Nove meses. Extrapolado o prazo, morre de maduro.

Pra Lígia e pra Carol

Amigo faz uma falta do cacete. Incrível. No último semestre duas das minhas melhores amigas se mudaram. Ok que a gente se fala pelo menos três, quatro vezes por semana por MSN. Ok que o Skype tá aí pra nos socorrer. Só que não é a mesma coisa. E quando a vontade – vontade não, necessidade – de contar uma novidade precisa ser abafada até o encontro com um computador que tenha conexão com a internet? Ou quando o que a gente mais precisa do mundo é receber um olhar de desaprovação pela merda já cometida? Ou quando o programa master é só dar uma volta à toa pela Paulista, pra fazer nada e falar de nada? Aí é a hora que a coisa pega. É tipo namorado que mora em outra cidade: você até sabe que ele está ali, na maior parte das vezes pro que der e vier, mas que um encontro combinado no meio da tarde só pode acontecer no outro final de semana. Amigo faz uma falta do cacete, como faz. Amigo que dá pra enviar um SMS pra fazer uma fofoquinha malvada. Amigo que sai com a gente pro boteco mais porco da Augusta e que bebe no copo mais sujo de todos. Amigo que não liga de sentar com você no chão da livraria, de folhear listas de 500 filmes essenciais ou de lugares que precisamos conhecer antes de morrer. Amigo assim, pra ficar de bobeira como a melhor companhia do mundo. Amigo pra abraçar quentinho quando um abraço quentinho substitui todas as palavras mais lindas do mundo.

Que orgulho danado eu sinto.