De uma série ansiosa #1

Setembro. Janeiro. Quatro meses. A possibildade de eu me mudar para o Rio, no ano que vem, é grande. Aos 23 anos, a ideia de começar uma nova faculdade soa como loucura (sobretudo quando já se é formada). Como o curso de Direito dura cinco anos, quando me graduar pela segunda vez, terei, no mínimo, 28 anos. Muita gente já é milionária com essa idade (deixo claro que esse não é meu projeto de vida), muitas mulheres são mães de três filhos, outros são solteirões convictos. O fato é que eu não tenho mais dezoito anos e quando me formar não terei mais 23. Entendem onde quero chegar? A maioria das pessoas que conheço já têm suas vidas definidas quando estão perto dos 30. De repente, me mudar para o Rio de Janeiro, hoje, parece uma viagem sem volta, um adeus a todas as coisas que me prendem aqui. Carreira, casa e amigos, tudo novo, mas em outro lugar. E o que tenho feito aqui é justamente o contrário do que gostaria de estar fazendo: amigos e mais amigos se despedindo, outros levando mágoas com eles mesmos, horas e horas de estudos que poderiam ser preenchidas com conversas numa mesa de bar. No fundo, no fundo, queria ouvir de alguém um “fica, vai, você vai fazer falta pra mim”. Quatro meses, sabe? É pouco. Tão pouco.

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