de O Curioso Caso de Benjamin Button

Para o que vale a pena? Nada é muito tarde, ou no meu caso muito cedo – para ser quem você quer ser. Não há tempo limite; você pára quando quiser. Você pode mudar, ou ficar igual – não há regras para isso. Nós podemos tirar o melhor ou o pior disso. Eu espero que você tire o melhor. Eu espero que você veja coisas que te deixem sobressaltada. Espero que você sinta coisas que nunca sentiu antes. Eu espero que você conheça pessoas com um ponto de vista diferente do seu. Eu espero que você viva uma vida que se orgulhe. Se você acha que não está acontecendo, eu espero que você tenha a força para recomeçar tudo de novo.

Com a ansiedade à flor da pele, tem vezes que só o cinema pra confortar.

Na gaveta

Mais uma carta pra série de coisas que escrevi e ninguém leu. Letras cansadas e gastas pela repetição. Linhas e linhas que buscam explicação pro que não aconteceu, pra chance negada, pra atitude derradeira incompreensível. O não dito nos tornou estranhos, distantes, frios. Confundidos, não nos reconhecemos nem em mais um olá. Um amontoado de palavras errantes, confessadas ao léu, no calor da hora, expulsas ao vento, roubadas de uma canção, de um filme, de um momento de saudade extrema. A profusão de eus no lugar de nós, de juras de ódio que, meu bem, não combinam com as juras de amor. Um grito calado abafado na gaveta. A carta que poderia ser substituída por um simples bilhete: “Adeus”.

Uma água, vai

“Moço, me dá uma jurupinga!”

“Não tem…”

“Então eu quero um mojito, por favor.”

“Vou ficar te devendo…”

“E essa caipirinha com baunilha?”

“Também não tem…”

“Então me dá uma Skol long neck!”

“Também não tem.”

“Mas, moço, o que tem então!?”

E aqui ressalto que dei uma risadinha simpática.

“Aqui é um bar objetivo. Não tem nada disso que você quer.”

“Então porque tá no cardápio?”

“A gente tá no terceiro mundo, meu amor.”

Aaargh. Morra.