Oooops, I did it again!

Minha mãe tem a mania de desacertar cada relógio da casa com uma hora diferente. A gente até brinca que a cozinha deve ser realmente grande, o que explicaria porque os horários marcados na geladeira, no fogão e no microondas nunca são os mesmos. Ora, cada aparelho está localizado em um fuso. Na cabeça dela, os dez, vinte minutos a mais ou a menos devem significar um tempinho extra entre um afazer e outro.

Aos dezesseis anos, fui pra balada com RG falso. Na hora de apresentar o documento pro segurança, ainda na fila, tirei o verdadeiro da carteira. Minha atitude pode ser justificada, talvez, pelo meu medo de ser pega com a boca na botija. Sorte eu ter escondido a prova do crime a tempo de o cara nem perceber.

Legal mesmo foi a vez em que troquei o nome da minha dentista. Afeita aos atrasos, a dita cuja marcava consultas às 8h e chegava sempre, sempre lá pras 9h30. Uma afronta. Foi então um passo para que eu e meus irmãos a apelidássemos de Nirvana (que rimava com o nome verdadeiro, Ivana). Certa vez, dirigindo-me à ela, soltei algo como “mas, dra. Nirvana, preciso de um espaço na sua agenda ainda pra esse mês!”. Óbvio, não consegui a tal da consulta.

Os atos falhos, como o psiquiatra Sigmund Freud classifica esses tipos de acontecimentos, podem resultar de algum desejo inconsciente reprimido. Ou seja, ligar pro novo affair sem querer ou mandar um SMS pra pessoa errada talvez sejam mais do que simples enganos.

Psicanálise explica um bocado da vida pra gente.

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