Furtivamente

Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade.

C. Lispector, no conto Felicidade Clandestina


Acordei sem querer pensar muito, com medo de esgotar toda essa alegriazinha tímida.

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Mudando

Bolacha é biscoito. Guarda-sol é barraca. Na praia, a bebida mais pedida é o Matte – com biscoito Globo, claro. O metrô é de superfície. No teatro, muita gente de chinelo (assim como na pizzaria, no cinema, no shopping). Lá não tem as marginais Pinheiros e Tietê, mas sim as linhas Amarela e Vermelha. Um pedágio de 4 reais separa a Zona Oeste da Zona Norte. Geral vai pra night, quase sempre pro funk (até as cocotas de Copa). Grandes cronistas vieram de lá, assim como grandes sambistas também. Noel Rosa, Cartola, Olavo Bilac, João do Rio. A banca de jornal tem Extra, O Globo, O Dia.

É pra lá que eu vou.

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