O que às vezes sei

Sei mirar as fases da lua e diferenciar a minguante da crescente da nova da cheia. Sei que aquele cair da tarde que colore o céu num acrilic on canvas tem o divertido nome de lusco-fusco. Sei que “calipígio” significa belas nádegas, que açúcar não torna o molho de tomate menos ácido (problema esse que pode ser sanado com uma pontinha de bicarbonato de sódio), que de uma estação do metrô à outra o tempo conta, certinho, dois minutos. Sei que contornar com lápis branco a parte interna dos olhos realça o olhar, que pra tirar esmalte vermelho sem manchar basta besuntar a unha com óleo secante antes de limpar com o removedor, que a Nara Leão, com 15 anos, namorou o Ronaldo Bôscoli, que tinha 28. Sei que Times 12 equivale à Arial 11, que cachaça não é a mesma coisa que aguardente, que pra fotografar paisagens a lente mais apropriada é a grande angular. Sei que a Clarice Lispector uma vez quase incendiou o próprio apartamento com um cigarro, que ninguém é doutor pelo simples fato de ser médico ou advogado, que papier mâché é a mistura de papel picado, água, gesso e cola.

Mas tem horas que esqueço disso tudo e só sei de um olhar que transmuda do castanho para um brilho de alegria.

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