Mais pipoca

Ir ao cinema sozinha virou uma das minhas atividades preferidas.

Sair sem precisar marcar hora, escolher o filme que eu bem entender, sentar na poltrona que eu quiser. Um punhado de eus.

Tem dias nos quais não existe melhor companhia do que você mesmo.

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O que é feito do quê

“Tava ouvindo uma música que dizia que as nuvens são feitas de algodão”

Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão. Um dia me disseram que os ventos às vezes erram a direção.

“De quem é essa música?”

“Engenheiros do Hawaii”

E tudo ficou tão claro. Um intervalo na escuridão. Uma estrela de brilho raro. Um disparo para um coração.

“Ai, eu não gosto deles…”

“Mas depois eu pensei… não são as nuvens que são feitas de algodão. Olha o tamanho do algodão! Ele que é feito de nuvem!”

Somos quem podemos ser. Sonhos que podemos ter.

O tamanho dos sonhos, o tamanho da gente. Quem é feito do quê?

Tudo

Quem assistia ao Castelo Rá Tim Bum se lembra do Gato Pintado. Morador da biblioteca, a cada visita da Biba, do Pedro, do Nino e do Zequinha ele tinha uma poesia pra apresentar. Foi assim que eu, aos 7 anos, conheci Cecília Meireles, Manuel Bandeira e Paulo Leminski. Mas um dos poemas que eu mais gostava era “Tudo”, do Arnaldo Antunes:

Todas as coisas
do mundo não
cabem numa
idéia. Mas tu-
do cabe numa
palavra, nesta
palavra tudo.

Conforme as crianças iam lendo os versos, uma animação mostrava um menino que desenhava diversas coisas em uma folha branquinha: era pé, era carro, era cachorro, era Sol. A coisa mais fofa. O Sol do Castelo Rá Tim Bum permanece até hoje no meu imaginário. Tanto que, quando eu penso em Sol, penso em um igualzinho àquele: traços infantis, desenhado com lápis de cor e super pueril.

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É um desses que, sob a legenda o sol voltou, ilustra o mês de março de 2010 da minha agenda.

Os passarinhos do quintal

Desde quando nos mudamos para essa casa, há dez anos, plantamos oito árvores. Adoro quando minha mãe pergunta se já vi os botões de flor no ipê-branco ou se colhi as acerolas bem vermelhinhas. Além disso, bananeiras, limoeiros, abacateiros, pés de laranja e carambola são encontrados em muitos quintais das redondezas. Isso tudo acaba favorecendo a disseminação de sanhaços, bem-te-vis e sabiás-laranjeira pelo bairro. Nas manhãzinhas, lá pelas seis, ir dormir com o canto deles é puro aconchego. Acordar, então, é sentir um “bom dia, mundo!” mais que feliz.

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