DDD

“Você não imagina o sacrifício que é pra te mandar sms”

“Ah, é? Porquê?”

“Por causa do DDD”

“Entendi… E o que você faz? Por um acaso precisa decorar o número?”

“Isso mesmo”

“E você já decorou meu número?”

“Decorei”

“…”

Alegriazinhas

Vi duas mulheres colhendo pitanga no meio da Praça Panamericana. Ver alguém pegando frutinhas em meio ao trânsito paulistano deixa o dia mais feliz.

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Slowly, please, slowly. Dar tudo mais que certo na minha primeira entrevista  em inglês com uma fonte fofa deixa a tarde mais feliz.

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Duas cidades com nome de santo ligadas por um telefone. Receber uma ligação da Natália, lááá de São Luís, no Maranhão, deixa a noite mais feliz aqui em São Paulo.

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Chegar atrasada na faculdade depois de um dia cansativo de trabalho. Dois presentes: uma carta linda e a famosa sodinha mineira. Aaah, deixa a noite muito mais que feliz.

Me chama de Preta

Nordestina de João Pessoa, a dona Cícera passou por Belo Horizonte e por São Paulo antes de chegar em Osasco. Orégano era oréga, estômago era estrômbo, cinza era cinzo, freezer era frizo. Pra minha avó, a Heloísa, minha prima, era Iluísa. As duas netas mais novas, uma loira e outra morena: a primeira virou Branca, eu virei Preta. Como era bom ouvir ela dizer “minha Preta, toma um chocolate com leite”. Até hoje não gosto, mas do dela bebia até cinco litros, o dela era bom. Ela tinha a timidez de quem acha que se abrir a boca não sai coisa boa – costume de anos ouvindo as pessoas dizerem que o certo não é assim, é assado. Uma confusão danada entre sabedoria e estudo, mas que deixou comigo palavras que uso todo dia. Presepada, aperreada, adular, magoar, maneiro, saudade saudade saudade, cinco anos de saudade.