Depressa

A Julia tem cinco anos e gosta de rosa. Ana, aos oito, adora quando a mãe faz tranças. Isso eu descobri nos minutinhos que esperava pelo sinal abrir, na Conde de Sarzedas com a Conselheiro Furtado, na Sé, e ouvia o tagarelar das irmãs.

As duas, uma de cada lado, se prendiam às mãos seguras do pai enquanto o sim do verde não vinha para deixá-las mais livres.

Julia se espantou quando viu um homem se arriscar entre os carros para economizar a parada ali na frente da faixa de pedestres. Olhou esbugalhada para o pai, como que se perguntando porque também não faziam o mesmo os três, veja bem.

Ele explicou laconicamente:

“A vida não é depressa”.

Como lição bem dada, as duas repetiram a frase, logo em seguida.

A vida não é depressa.

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