Alegriazinhas

Vi duas mulheres colhendo pitanga no meio da Praça Panamericana. Ver alguém pegando frutinhas em meio ao trânsito paulistano deixa o dia mais feliz.

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Slowly, please, slowly. Dar tudo mais que certo na minha primeira entrevista  em inglês com uma fonte fofa deixa a tarde mais feliz.

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Duas cidades com nome de santo ligadas por um telefone. Receber uma ligação da Natália, lááá de São Luís, no Maranhão, deixa a noite mais feliz aqui em São Paulo.

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Chegar atrasada na faculdade depois de um dia cansativo de trabalho. Dois presentes: uma carta linda e a famosa sodinha mineira. Aaah, deixa a noite muito mais que feliz.

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Maria Clara, 4 anos

Ela passa a mão nas orelhas aveludadas do pastor alemão. Eu observo tudo. A mãozinha com medo, o sorriso de prazer.

“Ele tá sorrindo pra mim”

“Tá mesmo. Você gosta dele?”

“Gosto, ele é macio”

“É sim. Passa a mãe na barriguinha. Ele adora. Não precisa ter medo”

“Queria conversar com ele, mas ele não fala nada”

E, olhando pra ele:

“Porque você não fala comigo, Jimis?”

O nome dele é Jimi, mas na cabeça dela Jimis é mais bonito.

“Fala comigo…” Depois olhando pra mim: “Porque ele não fala nada?”

“Quantos anos você tem?”

E, contando os dedos, mostra que tem quatro.

“Então. Ele é bebê ainda. Você tem quatro, ele tem um e meio”

Ela não deve ter entendido a parte do meio, eu explico:

“Sabe a Alice, a sua irmãzinha? Ele tem a mesma idade dela. Ela não é bebê? Ele também. Por isso ele não fala. O que você queria conversar com ele?”

Apertando as bochechas peludas, responde:

“Queria dizer que ele parece um palhacinho”