O pátio em frente

Era debaixo de uma árvore de flores amarelas que eu gastava os intervalos entre as aulas. Sentadas na grama, eu e mais duas ou três amigas mirávamos o pátio em frente, os alunos, os casaizinhos que iam se formando e se desfazendo com o transcorrer das semanas. Nos invernos, também íamos até lá, mas em busca de sol. Do outro lado, a cena de sempre: gargalhadas boas, All Star’s desfilando coloridos, cabelos mal alisados, pulseiras chacoalhando aos montes. Na primavera, contávamos ainda com a brisa gostosa, com o sol das 16 horas que abraçava aconchegante as tardes estendidas para a fofoca de todo dia. E o pátio sempre com os mesmos grupos, as mesmas histórias de bebedeiras, de cigarros fumados às escondidas, de escapulidas no meio da tarde pra festinha na casa de alguém do alguém do alguém. Quando a sombra bondosa em pleno verão apontava o final do ano, surgia a nostalgia pelo futuro, o medo de não fazer mais parte, as promessas de vou-ficar-aqui-por-você-pra-sempre.

Quase seis anos depois, poucos ficaram.

Ainda assim, quero aprender a deixar quem quiser ir embora ir embora mesmo.

Ensina?

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Mais um dia feliz

Ganhei um bombom de chocolate meio amargo que veio da Itália. Quando desembrulhei o papel laminado, surpresa!, uma figurinha linda veio com o chocolatinho. A mensagem, em 5 línguas, também era fofa: “O amor sabe esperar lá onde a razão desespera”.

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Descobri uma música da Maria Rita tão bonita. É calma de dar sono, mas é bonita. “Calma/ Dê o tempo ao tempo, calma/ alma/ Põe cada coisa em seu lugar// E o dia virá, algum dia virá/ Sem aviso/ então…”. Que voz.

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Um também canceriano com ascendente em peixes me indicou um conto do Caio Fernando Abreu pra ler. E eu, que sempre tive um certo preconceitozinho em relação ao escritor, li. Bonito o texto.

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Comecei a ler um livro da Clarice Lispector. É uma coletânea de textos que ela escreveu em diversas fases da vida: jornalista, menina-moça, estudante de Direito. Aaaaaaiai. Sou suspeita em falar dessa mulher. Como ela diz em uma das entrevistas do livro, “É isso sim. Fico olhando, bobando…”.

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Tudo que preciso pra um dia feliz são as palavras certas.

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L’amore sa sperare quando la ragione già dispera

Love can hope where reason would despair

El amor tiene esperanza allí donde tu razón desespera

L’amour peut espérer là où la raison désespère

EUREKA!

Quando a maçã correu pra cabeça de Newton, quando o homem inventou a roda, quando transformaram areia em vidro, quando misturaram o verde no amarelo e conseguiram o azul, quando identificaram o do ré mi fá sol lá si, quando mamãe disse sim pro papai, quando aboliram as pochetes do universo masculino, quando não dá pra não ficar junto, quando John e Paul escreveram If I Fell.

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Eureka, eureka, eureka!