Tudo

Quem assistia ao Castelo Rá Tim Bum se lembra do Gato Pintado. Morador da biblioteca, a cada visita da Biba, do Pedro, do Nino e do Zequinha ele tinha uma poesia pra apresentar. Foi assim que eu, aos 7 anos, conheci Cecília Meireles, Manuel Bandeira e Paulo Leminski. Mas um dos poemas que eu mais gostava era “Tudo”, do Arnaldo Antunes:

Todas as coisas
do mundo não
cabem numa
idéia. Mas tu-
do cabe numa
palavra, nesta
palavra tudo.

Conforme as crianças iam lendo os versos, uma animação mostrava um menino que desenhava diversas coisas em uma folha branquinha: era pé, era carro, era cachorro, era Sol. A coisa mais fofa. O Sol do Castelo Rá Tim Bum permanece até hoje no meu imaginário. Tanto que, quando eu penso em Sol, penso em um igualzinho àquele: traços infantis, desenhado com lápis de cor e super pueril.

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É um desses que, sob a legenda o sol voltou, ilustra o mês de março de 2010 da minha agenda.

Os passarinhos do quintal

Desde quando nos mudamos para essa casa, há dez anos, plantamos oito árvores. Adoro quando minha mãe pergunta se já vi os botões de flor no ipê-branco ou se colhi as acerolas bem vermelhinhas. Além disso, bananeiras, limoeiros, abacateiros, pés de laranja e carambola são encontrados em muitos quintais das redondezas. Isso tudo acaba favorecendo a disseminação de sanhaços, bem-te-vis e sabiás-laranjeira pelo bairro. Nas manhãzinhas, lá pelas seis, ir dormir com o canto deles é puro aconchego. Acordar, então, é sentir um “bom dia, mundo!” mais que feliz.

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Biblioteca é passeio (e dos bons)

Gostoso mesmo é pegar livro emprestado na biblioteca.

Procurar por 1 em 20 mil exemplares. Vasculhar lombadas coloridas e capas remendadas. Lá no fundo da estante, no cantinho mais encondido, encontrar o dito cujo.

Sentir a textura das páginas já amassadas pelo manuseio, o cheiro de papel guardado, jogado na mochila, lido no metrô, passado de mão em mão.

Caso a edição seja antiga, notar as diferenças na tipografia de um tempo em que era tudo, digamos, mais artesanal. Letras voadoras no meio das palavras, parágrafos que deixam escapar uma sílaba ou outra.

Com muita sorte, ter a oportunidade de ler as anotações de outras pessoas.

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Celestial

Por assim dizer, os

…………………………………não……………………………………………..

………………….…não……………………………………………………………………

………………………………………….…não…………………………………..

voaram pra bem longe.