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“Estamos doando filhotes de cão peludo”

Rua Rio Paranapanema, muro verde, Osasco.

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A faixa branca pintada no asfalto

Estava lembrando de uma certa faixa branca pintada no asfalto. O único objetivo dela é separar São Paulo de Osasco. Não fosse ela, a confusão seria danada: como saber pra qual cidade determinado imóvel paga IPTU? e se um buraco na rua causar um acidente, qual cidade deverá ser responsabilizada? caso alguém morra na calçada, qual local de morte escolher para preencher o atestado? Enfim, a faixa branca pintada do asfalto soluciona um punhado de dúvidas. Ela é, portanto, de extrema valia, utilidade e até necessidade. Clara, um símbolo concreto, geradora de limites. Eu gosto da faixa branca pintada no asfalto porque, por causa dela, sei que moro em Osasco, e não em São Paulo. Sei também que as duas cidades, embora próximas, nunca serão a mesma cidade. A faixa branca pintada no asfalto está ali para comprovar, para evitar insônia e para confortar.

Velhos vizinhos

Lá na vizinhança é assim.

Cadeiras nas calçadas completam as tardes quentes com conversas sobre a vida de um e de outro. Qualquer um que passe com uma sacolinha do mercadinho ou da papelaria pára e diz, pelo menos, um oi.

Nas manhãs, velhinhos caminham, em casal ou em gangue. Os carros lá ainda são minoria e o caminho é quase sempre plano, o que facilita os exercícios para osteoporose e para alegria.

Famílias inteiras pedalam, enquanto outras pesseiam com seus cães nos finais de semana. A maior parte das casas conta com cachorros de raças grandes nos quintais.

No Carnaval, uma das ruas principais é fechada. As crianças vestem então suas fantasias e pulam ao ritmo de “foi a camélia que caiu do galho, deu dois suspiros e depois morreu”. Um tapete de serpentina e confete.

Há quarenta anos, minha avó criava patos no quintal dos fundos. Há quinze, minha tia mantia um galinheiro. Hoje a dona Chiquita vende ovos frescos, a 4 reais a dúzia. Afinal, é no supermercado que as pessoas compram as aves – já prontas para o preparo.

Árvores frutíferas estão presentes na maior parte das casas. A Alzira, mulher do Paulo, nos presenteia com pencas de bananas, chuchus fresquinhos, abacates e mangas. Nós também fazemos nossa parte: na casa dela nunca falta acerola, nem carambola.

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pé de acerola no verão

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