Umbigo, umbigo meu

Andava com um grupo de cinco homens. Tailleur de tweed e cabelos loiros.

Contava a história de uma fulana que levou um pé na bunda.

Até que.

“Vocês não acreditam! Ela era perfeita: Loira, alta e rica”

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Quase passarinho

Só consigo pensar que tem libélula que pensa que é passarinho. Rasantes, verdes e marrons coloridos no ar. Piruetinhas. São feias, mas olhando com atenção têm algo assim de ser passarinho sendo libélula que chama a atenção. São só libélulas, mas também voam e vão céu acima, céu abaixo. O céu não é palpável, não pra nós. Mesmo assim, pras libélulas, é onde elas moram. O céu não é nada, mas é lá que elas ficam. Quase passarinho.

O menino do nome esquisito

Eu tinha uns 14 anos e tinha esse menino, o Luiz Felipe. Ele gostava de mim como gosta um menino nos seus 14 anos: mandava bilhetinho, presenteava com bombom, gastava o tempo na frente da minha casa me esperando chegar da escola. E eu, secretamente, comecei a gostar dele também. Pelo menos até o dia em que uma amiga soltou “Nossa, aquele garoto te persegue, hein? E olha o nome dele que nada a ver: Luiz Felipe! É muito feio!”. Além dos 14 anos, eu tinha uma inclinação fortíssima a seguir a opinião das amigas. Assim, larguei a paixão platônica pelo menininho dos olhos verdes e dos bombons murchos.

Essa semana eu vi o Luiz Felipe de novo. Olhei pra ele e pensei em como a gente faz concessões por coisas bobas, bobas.