Eu te odeio

No ônibus, presenciei uma briga de namorados. A garota gritava com alma. Ele, encabulado. Lembrei de imediato de um trecho da Clarice Lispector, e me reconheci no casal e no texto.

“Eu te odeio”, disse ela para um homem cujo crime único era o de não amá-la. “Eu te odeio”, disse muito apressada. Eu te amo, disse ela então com ódio para o homem cujo grande crime impunível era o de não querê-la. Eu te odeio, disse implorando amor.

O Búfalo

Os passarinhos do quintal

Desde quando nos mudamos para essa casa, há dez anos, plantamos oito árvores. Adoro quando minha mãe pergunta se já vi os botões de flor no ipê-branco ou se colhi as acerolas bem vermelhinhas. Além disso, bananeiras, limoeiros, abacateiros, pés de laranja e carambola são encontrados em muitos quintais das redondezas. Isso tudo acaba favorecendo a disseminação de sanhaços, bem-te-vis e sabiás-laranjeira pelo bairro. Nas manhãzinhas, lá pelas seis, ir dormir com o canto deles é puro aconchego. Acordar, então, é sentir um “bom dia, mundo!” mais que feliz.

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