O estranho sumiço do z

“Pai, onde é o bloco c?”

“O bloco c é onde eu moro.”

“E o bloco z?”

“Não tem… só tem a, b, c, d e e.”

“Mas porque não tem bloco z?”

“Porque não… são só esses cinco…”

“O alfabeto vai até o z, onde colocaram o z? Onde, hein, pai?”

A carinha de preocupação do menino tinha biquinho e tudo.

Ganhei o dia.

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De olho!

Cansei do Onomatopéia, é fato, mas fazer o que se a blogueira mais fofa da rede vem com todo um jeitinho, mais fofo ainda, e me indica pro selo “Esse blog vale a pena ser olhado”?

Selo Esse blog...Vale a pena ser olhado

O jeito é indicar mais cinco blogs:

Amelie Bonfant
Me exorcisa
Rango na Madrugada
O Babuíno Voluntarioso
Madame Tantã

Quem for passar a corrente pra frente, precisa seguir cada passo do regulamento. Os cinco escolhidos precisam indicar outros cinco nesse link aqui e dar um ctrl + c no código do selo e um ctrl +v no post. Parece complicado, mas é mais difícil explicar do que fazer.

Valeu, srta. Paty Maionese!

Como agradar um nerd

Para um viciado em literatura, no universo dos presentinhos há poucas coisas mais emocionantes de se ganhar do que um livro. Mas, mais legal ainda do que ser presenteada com um livro, é ser presenteada com um livro em uma data que, a priori, você não lucraria nem uma balinha.

O objeto de desejo em questão chama-se Acordados – fragmentos. Uma das coisas que mais me chamaram a atenção foi o esquema de distribuição dos exemplares: os 2000 livros da tiragem inicial foram doados por meio de um sistema que o pessoal envolvido no projeto chamou de contrabando. A idéia é fazer com que a literatura chegue às pessoas que, teoricamente, não teriam acesso à ela.

 

orelha
 

Gostei desse trecho aqui talvez por causa daquele blablablá de eterna despedida que eu amo:

A terra era entulho, as histórias eram entulho e a língua tinha tantas pedras que não se falava mais para não se quebrarem os dentes. Fomos embora e estamos sempre indo embora. Emendamos os dias e as noites em mais noites e nunca mais voltamos.

Ana Rüsche, a autora, mantém o blog Peixe de Aquário. O livro também tem um, o Acordados – Fragmentos.

Falando em agradinhos, faltam exatos três meses para o meu aniversário.

No tapete vermelho

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Não é piada, mas meu blog foi indicado para selo oficial “Eu tenho um blog de Elite”. Juro, não é piada, não. Olha lá, foi a Amelie quem indicou. “Ah, mas indicação de amigo não vale”, alguns dirão. Se vale ou não vale, a questão é que eu preciso indicar outros cinco blogs que, para mim, também merecem o selo. Hmmm, difícil, hein? Bom, aqui vai a indicação (não de cinco, mas de três):

Rango na madrugada – super gostoso de ler, o blog da bailarina e arte-educadora Andréa é a minha primeira indicação.

Me exorcisa – doses cavalares de Beatles e um bocadinho de Mariana.

Amelie Bonfant – não só por causa da presença virtual dela, mas porque a presença real fez meu ano meu bem mais, digamos, tragável.

Poetas

Lar de poeta é um universo. Cheiro de papel gasto no ar, post-its por todos os lados, um sofá que não acomoda mais pessoas porque cedeu lugar a livros e mais livros. Por todos os cantos, lembretes literários. Dicionários de italiano, de francês, de sinônimos e de antônimos, de rimas, de catalão, de inglês, de português. Estantes improvisadas, arriadas de tanto peso. Não é a casa que contém uma biblioteca, mas sim a biblioteca que tem uma casa. Café passado na hora para os momentos de insônia e, se tiver sorte, de inspiração. Dois banquinhos na cozinha, o “cômodo mais nobre da casa”, um bom lugar para receber oa amigos. Papeladas no escritório com anotações das mais diversas. Na parede, entre tantas gravuras, uma de Carlos Drummond de Andrade, que ontem completaria 105 anos. Em letras miúdas, o Estrambote Melancólico, segundo o dono da casa, um dos poemas que mais sintetizam a obra drummondiana:

“Tenho saudade de mim mesmo,
saudade sob aparência de remorso,
de tanto que não fui, a sós, a esmo,
e de minha alta ausência em meu redor.
Tenho horror, tenho pena de mim mesmo
e tenho muitos outros sentimentos
violentos. Mas se esquivam no inventário,
e meu amor é triste como é vário,
e sendo vário é um só. Tenho carinho
por toda perda minha na corrente
que de mortos a vivos me carreia
e a mortos restitui o que era deles
mas em mim se guardava. A estrela-d’alva
penetra longamente seu espinho
(e cinco espinhos são) na minha mão.”