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Cantarola

Eu só aceito a condição de ter você só pra miiiim. Eu sei, não é assim, mas deixaaa… Eu só aceito a condição de ter você só pra mim. Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir. Lalala. Uuuuh. Lalalaaaa.

Pé d’água

O dia em que a gente acorda feito o tempo: chovendo.

Como pode

Não importa a canção porque tudo que ouço soa como música e como música que só faz bem. Assim como não ligo se o frio é de 10 ou de 18 graus, se venta ou se a primavera que é de longe a estação que mais amo ainda vai demorar pra chegar – porque olho pro céu e o que vejo são as noites mais lindas de inverno, com estrelas tremeluzindo de um jeito que parece pintura mesmo. E as manhãs, então, que têm sido de um sol brilhante com fundo azul pleno. Tanto faz também se a cólica chegou mais cedo ou se os 23 estão aí, batendo na porta com o peso nunca sentido em nenhum outro aniversário. Porque daqui vinte, trinta anos, vou olhar pra esses tempos e me perguntar como podia uma vida ser tão leve e tão gostosa.

Agrado

Muito me agrada a ideia de tentar de novo. Sabe, errar, ter a liberdade de errar de novo e, vá lá, poder errar mais uma vez. Até que chega uma hora em que a gente acerta. Ou aprende a errar menos.

Muito mesmo me agrada.

Ooooh!

Olhinho puxado, chinesinho de uns quatro anos. Um tico de altura em toda sapequice da idade. Loja lo-ta-da de doces. Chocolates, balas, pirulitos. No meio de tantos atrativos, o olhar do rapazinho alcança um dos mais simples.

“Moço, me dá um pé de chulé!”

“Não, é pé de moleque, garoto!’

“Ah! Hihi. Pensei que fosse pé de chulé!”

Fofo.

Maravilhosa

A alegria de ter o sorriso bonito de novo por aqui em mim.

… basta um bilhetinho em cima de mesa.

“Marília, boa prova! Beijos, pai”

As caixinhas gêmeas

Eu vou inventar uma caixinha assim: pequena, mas o suficientemente grande para caber uma mão toda lá dentro, e com duas partes gêmeas. Pequena porque precisa ser fácil de carregar. A mão que precisa caber lá dentro é pra sentir a pessoa que mora longe. Dito isso não preciso explicar porque as caixinhas deverão ser iguais. Desse modo, quando algum amigo meu precisar do meu toque, e não das minhas palavras, nós dois enfiaremos as nossas mãos lá dentro e poderemos sentir o carinho e o calor que habitam a quilômetros de distância.

Amiga que você sabe do que estou falando, estou vendo um jeito de fabricar isso logo. Enquanto isso, a única coisa que posso dizer é que você é uma das pessoas mais maravilhosas que já conheci.

Pra eu ficar

Tinha a Maria e tinha o João. Os nomes não eram esses e a cena é de um seriado da televisão, não lembro o nome. O fato é que os dois se amavam num amor bonito e – como todos os amores – complicado. Era um vai-e-vem danado, um bem-me-quer, mal-me-quer sem fim. Enredo hollywoodiano porém tipicamente Maria do Bairro. Daí que o João aceita a oferta de um emprego em outra cidade. As malas feitas, Maria o acompanha até o cais, já que a cidade ficava numa ilha. Coração apertado, tanto um quanto o outro pouco conversam. Abraçam gostoso, se beijam. João avança até a balsa, Maria segura o choro. A garganta dos dois apertada, sensação de não conseguir imaginar como será a vida sem o outro por perto. Mais do que não conseguir, não querer. O motor é ligado, a balsa começa a se afastar. “Pede pra eu ficar, pede pra eu ficar!”, é o que ele grita.

Maria, calada, permite a partida.

Pede.

6 x 5

Seis meses no ano, cinco partidas.

Esperando pela perda de junho.