Bobinha que sou, algumas vezes tenho medo de expressar minha felicidade quando alguém próximo não está muito bem. Assim, em um gesto mezzo altruísta, mezzo egoísta. A tendência nesses momentos é eu fingir que nada de extraordinário está se passando e que a rotina segue o curso natural de sempre. Desculpa, mãe, desculpa, pai, desculpa, amigos do cursinho, desculpa todo mundo que não anda lá essas maravilhas. A verdade é que a única coisa que consigo pensar é que “meu Deus, como me sinto infinitamente melhor agora”. Tem alguma alegriazinha se pronunciando aqui dentro, daquelas raridades que dá até frio na barriga de imaginar o tamanhão que pode vir a ser.
Para o que vale a pena? Nada é muito tarde, ou no meu caso muito cedo – para ser quem você quer ser. Não há tempo limite; você pára quando quiser. Você pode mudar, ou ficar igual – não há regras para isso. Nós podemos tirar o melhor ou o pior disso. Eu espero que você tire o melhor. Eu espero que você veja coisas que te deixem sobressaltada. Espero que você sinta coisas que nunca sentiu antes. Eu espero que você conheça pessoas com um ponto de vista diferente do seu. Eu espero que você viva uma vida que se orgulhe. Se você acha que não está acontecendo, eu espero que você tenha a força para recomeçar tudo de novo.
Com a ansiedade à flor da pele, tem vezes que só o cinema pra confortar.
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Todo mundo sabe que papel de origami só serve pra dobrar uma vez. Porque, depois que a gente faz um vinco, a marquinha não sai mais, mesmo que seja passado com ferro quente ou esquecido embaixo de uma pilha de enciclopédias Barsa.
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Vou confessar que um dos meus maiores medos é chegar aos 70, 80 anos e só aí perceber que fiz as escolhas mais cômodas ao longo da vida, seja por medo ou por preguiça.
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De tudo, lembro-me com clareza do par de olhos marejados e da música que foi tirada com pressa, simplesmente porque falava de velhos amores.
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Só isso que tenho a dizer.
P.S. – E não vou restringir o Onomatopéia, não. Todos estão bem-vindos, que é assim que deve ser.
P.S. 2 – Brisa boa a da primavera, né? Aiai.
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Mais uma carta pra série de coisas que escrevi e ninguém leu. Letras cansadas e gastas pela repetição. Linhas e linhas que buscam explicação pro que não aconteceu, pra chance negada, pra atitude derradeira incompreensível. O não dito nos tornou estranhos, distantes, frios. Confundidos, não nos reconhecemos nem em mais um olá. Um amontoado de palavras errantes, confessadas ao léu, no calor da hora, expulsas ao vento, roubadas de uma canção, de um filme, de um momento de saudade extrema. A profusão de eus no lugar de nós, de juras de ódio que, meu bem, não combinam com as juras de amor. Um grito calado abafado na gaveta. A carta que poderia ser substituída por um simples bilhete: “Adeus”.
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“Moço, me dá uma jurupinga!”
“Não tem…”
“Então eu quero um mojito, por favor.”
“Vou ficar te devendo…”
“E essa caipirinha com baunilha?”
“Também não tem…”
“Então me dá uma Skol long neck!”
“Também não tem.”
“Mas, moço, o que tem então!?”
E aqui ressalto que dei uma risadinha simpática.
“Aqui é um bar objetivo. Não tem nada disso que você quer.”
“Então porque tá no cardápio?”
“A gente tá no terceiro mundo, meu amor.”
Aaargh. Morra.
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Só para garantir: tenho um plano A, um plano B, um plano C e até um plano D.
Alguma coisa tem que dar. E, como diz a Liginha, no final sempre tudo dá certo.
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Há um ano, o dia começava com toda família Scriboni (onde a vaca vai, o boi vai atrás) se aprontando para o acontecimento do mês. De café-da-manhã, tomei só um copo de suco, que desceu como se fosse farofa. A garganta estava seca. Nunca o caminho para a Avenida Paulista fora tão rápido. Lembro que no dia ganhei uma mensagem linda da Iza Prado me desejando flores, depois um Alpino da Mari Marcondes, mais um pão-de-mel do Diogo. A cada minuto, olhava pra porta da Sala Aloysio Biondi: rezava pela presença de um, rogava pela ausência de outro. Nenhum dos dois apareceu. Menos mal. A Mari Savarese também estava lá e, embora de costas, pude perceber pela energia boa que vinha dela. A Vivi, mais nervosa ainda que as autoras da monografia. E a Jana que, como sempre, era toda pensamentos positivos. Não sei se já agradeci a todos vocês, então agradeço hoje. Obrigada mesmo. Pelos conselhos, pelas ligações especiais no meio da madrugada, pelas palavras de incentivo.
Antes do início da banca, não sabíamos, eu e a Lígia, se chorávamos ou se comemorávamos a monografia que, orgulhosamente, era apresentada por nós como a primeira de toda Faculdade Cásper Líbero a ficar pronta, mais de um mês antes do prazo final dado pela Coordenadoria de Jornalismo. Ainda: nosso orientador, o Luís Mauro, estava beeeem além-mar, lá na Inglaterra. Quando o Welington se sentou na cadeira (hahaha! o Welington que parecia só corpo, sem pernas! hahaha), gelei. Pra mim, ele sempre foi o melhor professor da faculdade, talvez o que mais tenha compensado nos quatro anos de curso. Uma coisa era certa: a nota que nós recebêssemos, seria a nota justa. Conversa vai, conversa vem, a voz da Lígia ficando mais embargada, eu rindo de tudo. A volta dos membros da banca com a nota já escolhida. Um dez, a princípio levado na brincadeira. Quase que grito “ei, vocês têm certeza? ah, mentira! jura aí! mas não vale cruzar o dedo, não! mostra a mão aqui! posso comemorar mesmo?”. Hahaha, incrível (e o vídeo está aí embaixo pra provar).
Por isso, valeu a pena perder noites e noites de sono
Pra mim, o dia 14 de outubro de 2008 tem gosto de amizade, antes de mais nada (porque, confesso, sozinha eu não teria conseguido mas é nunca). 14 de outubro, no meio da primavera, tem gosto da minha saia vermelha de florzinhas, gosto de coisa recém-começada, de um mundo novinho. Gosto de universitário repleto de expectativa, de vontade de fazer o que se quer, de fé na mídia como elemento construtor e transformador (para melhor, espero). Gosto de um monte de coisas na quais, graças a Deus, ainda acredito.
14 de outubro de 2009.
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