Canção-tema vespertina

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post das sensações

da grama úmida embaixo da gente, da luz do sol atravessando os galhos das árvores sobre nossas cabeças, do chão do parque com limo sob nossos pés. do matinho que cresce entre um tijolinho e outro, da garoa fina que arrepia o cabelo, da mão que fica cor-sim-cor-não quando estamos juntos. do geladinho dos lábios depois de um gole d’água, do halls de melancia que você tanto gosta, do beijo de mansinho dado com carinho do mundo. do abraço que vem sem motivo, assim do nada, pela simples vontade de sentir o outro em você. do rosto sendo acariciado com amor, do olhar pousando de leve no meu.

das mãos se separando, das bocas se separando.

de como é não saber quem você é, o que você é, até quando isso vai durar.

Dois meses (e um pouco antes)

Estação Vergueiro. El fuca vermejo!, comidinha vegetariana, meia-entrada é 2 reais, “guarda uma fila como ninguém”. Estação Liberdade. Ano-novo chinês, chupa essa Melona!, tempurá, 2008 é ano do rato, FUCK! I love you!, piriripompom-piriripompom, “ainda quero uma lanterna japonesa pra pendurar assim bem bonito”. Estação Tietê. Vestidinho branco, sandália de dedo no pé, All Star, Parque Trianon,  garoa fina, MASP, sala de projeção, seu olhar no meu olhar, milk shake de banana (banana?), odeio o Espaço Unibanco. Alguns quilômetros. “Alegre mas com lágrimas nos olhos”, praças e mais praças, sorvete, coreto, “o que eu entendo por ser meu é tudo que eu posso te dar”, lagoa, conjuntivite. Estação Ana Rosa. Estação Ana Rosa. Estação Ana Rosa. Arte independente, swing, tequilas, mojitos, tacos e burritos, Augusta, dois #1, Ferrero Rocher, show de mágica, boteco, boteco, boteco. Estação Carandiru. GTs, a bandeira de Gaia era legal, “afe, Vila Olímpia!”, pagodão, pé na grama, final de tarde, um vento de outono, minha boca na dele, felicidade no peito fazendo cosquinha ao som da respiração dos dois, o ar está suspenso. Estação Armênia. Estação Alto do Ipiranga. Estação Barra Funda. Estação Vila Madalena. Paraíso.

Como agradar um nerd

Para um viciado em literatura, no universo dos presentinhos há poucas coisas mais emocionantes de se ganhar do que um livro. Mas, mais legal ainda do que ser presenteada com um livro, é ser presenteada com um livro em uma data que, a priori, você não lucraria nem uma balinha.

O objeto de desejo em questão chama-se Acordados – fragmentos. Uma das coisas que mais me chamaram a atenção foi o esquema de distribuição dos exemplares: os 2000 livros da tiragem inicial foram doados por meio de um sistema que o pessoal envolvido no projeto chamou de contrabando. A idéia é fazer com que a literatura chegue às pessoas que, teoricamente, não teriam acesso à ela.

 

orelha
 

Gostei desse trecho aqui talvez por causa daquele blablablá de eterna despedida que eu amo:

A terra era entulho, as histórias eram entulho e a língua tinha tantas pedras que não se falava mais para não se quebrarem os dentes. Fomos embora e estamos sempre indo embora. Emendamos os dias e as noites em mais noites e nunca mais voltamos.

Ana Rüsche, a autora, mantém o blog Peixe de Aquário. O livro também tem um, o Acordados – Fragmentos.

Falando em agradinhos, faltam exatos três meses para o meu aniversário.

Reencontro

Entrei na casa de almofadas coloridas esparramadas pelo chão e paredes azuis e senti uma felicidade grande. A volta ao passado, o início da faculdade, eu ainda meio que perdida no mundão que a avenida Paulista era pra mim, na época. Tsurus e mosaicos enfeitam delicadamente a sala. Na parte de cima do sobrado colorido, microfones, gravadores e o letreiro “Atenção Gravando” com fundo vermelho. Uma profusão de cores é a sede do Cala-boca já morreu. Lá tem gente preocupada e que faz refletir sobre mídia, educação e nosso papel no meio disso tudo.

 

 

Dois anos de ausência, mas me senti como se estivesse em casa.